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Ações da Hapvida batem recorde após aquisição; entenda por quê

Após anunciar duas aquisições em um período de um mês, valor de mercado da companhia chegou a R$ 26 bilhões

Hapvida
(Divulgação)

SÃO PAULO - Após anunciar a aquisição do Grupo América, no domingo (09), por R$ 426 milhões, as ações da operadora de planos de saúde Hapvida (HAPV3) subiram 3,43% nesta segunda-feira — chegando a um patamar recorde de R$ 38,65. Com isso, o valor de mercado chegou próximo dos R$ 26 bilhões. A visão de investidores e analistas é que, em um mercado altamente competitivo, ao anunciar sua segunda aquisição em menos de um mês, a Hapvida, enfim, mostrou para o que veio.

“As operações da Hapvida sempre foram concentradas apenas no Norte e no Nordeste. Desde o seu IPO havia dúvida de que a empresa seria capaz de expandir suas operações para outras regiões. A aquisição mostra que ela está realmente comprometida em se tornar relevante a nível nacional”, afirma Mariana Ferraz, analista da Eleven Financial.

Fundada em fortaleza e líder no Nordeste e Norte, a Hapvida fez uma oferta incial de ações (IPO) em abril de 2018 e afirmou que neste ano focaria em expandir suas operações no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

A estratégia no Centro-Oeste se tornou clara após o anúncio de duas compras. No início de maio a empresa adquiriu o grupo São Francisco, por R$ 5 bilhões, estabelecendo uma operação em todo o estado de Goiás (com exceção da capital). Com o Grupo América, que possui operações em Goiânia, Anápolis e Aparecida, a Hapvida se fortalece e completa seu portfólio na região.

“O Grupo América parece uma aquisição estrategicamente sensata, uma vez que fortalece a posição do São Francisco no Centro-Oeste, dificultando a atuação de um concorrente vertical na região”, afirmam analistas do Bradesco BBI em relatório.

Com as duas aquisições, a Hapvida passa a marca de 6 milhões de beneficiários de saúde e odontologia. Há uma semana a empresa também anunciou a compra de um hospital em Juazeiro do Norte, no Ceará, mostrando que continua a ampliar sua participação nos mercados em que já atua.

A Hapvida iniciou recentemente a operação na região Sul, com a inauguração de um hospital em Joinville (SC), em abril. O espaço, de 20 mil metros quadrado, tem capacidade para atender desde casos mais simples até os mais complexos. A cidade foi escolhida por ser a maior em Santa Catarina, além de quase 80% de seus domicílios fazerem parte das classes B e C, em que a Hapvida atua.

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Mais importante do que a expansão em si, é o sinal que a Hapvida vem passando de que vai adaptar seu modelo de atuação às particularidades de diferentes regiões do país. “No Sul, por exemplo, há uma cultura muito forte de cesarianas — o que gera um custo mais alto do que o parto normal, que a Hapvida está acostumada a fazer no Norte e Nordeste. Mesmo assim, eles se adaptaram para atender a uma demanda mais alta de cesáreas em Joinville”, afirma Mariana. Outro sinal importante foi dado na operação de São Francisco, onde o atual presidente, Lício Cintra, continuará à frente do dia a dia do grupo.

Hapvida vs. Intermedica

As concorrentes Hapvida e Intermédica fizeram seus IPOs com poucos dias de diferença, em abril do ano passado. Mas o desempenho das empresas na Bolsa vinham sendo bem diferente até o início de maio. Os papéis da Intermédica tinham alta de 117% desde o IPO, ante uma valorização de apenas 34% das ações da Hapvida.

“A Intermédica foi mais rápida em suas aquisições, mostrando uma maior agressividade. Além disso, sua atuação é concentrada no Sudeste, um mercado mais forte que o da Hapvida”, afirma Mariana.

Com as aquisições recentes, a Hapvida ganhou quase R$ 6 bilhões em valor de mercado. Mesmo assim, o interesse pela Intermédica continua maior. A ação da Intermédica é negociada hoje a 55 vezes o seu lucro por ação, enquanto a Hapvida é negociada a 31 vezes o seu lucro, segundo dados da consultoria Economática.

Apesar das recentes aquisições, a Hapvida já falou que não vai parar por aí. Em entrevista ao jornal Valor Econômico o presidente afirmou que agora pode focar em empresas menores e comprar operadoras não verticalizadas. A ver se as novas notícias continuarão animando o mercado.

 

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