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Dona da Fiat reitera estratégia e busca por mais espaço no Brasil com investimento bilionário

Especialistas afirmam que momento do Brasil é propício para investimento do grupo FCA, mas a empresa está sem produtos        

Fiat
(Divulgação )

BETIM - A Fiat Chrysler Automobiles (FCA), dona das marcas Fiat e Jeep, anunciou um investimento de R$ 8,5 bilhões, na fábrica de Betim, em Minas Gerais, na última quarta-feira (22). Com isso, o grupo investe um total de quase R$ 14 bilhões no país - somando os R$ 7,5  bilhões anunciados recentemente para a fábrica de Goiana, em Pernambuco. 

O investimento massivo reflete a estratégia da FCA em apostar nos segmentos certos no Brasil, quando o restante das fabricantes concorrentes estão bastante receosas - dada a crise que o país enfrentou e os resquícios que ainda resistem, apesar de uma leve retomada.

Hoje, os SUVs mais vendidos no país são da Jeep (o Renegade e o Compass), e a maior rede de concessionárias da Fiat no mundo é a do Brasil.

O grupo FCA quer aproveitar esse momento em que as concorrentes pisaram no freio para ganhar espaço e retomar a liderança de vendas no mercado brasileiro - que hoje é dominado pela Chevrolet.

O Onix caiu nas graças do brasileiro e segue como o carro mais vendido do país há mais de dois anos. 

Os problemas

Mas uma fonte especialista no assunto e próxima à empresa que pediu para não se identificar afirma que o grupo precisa de uma saída para um problema maior.

“A FCA está sem produto. Fundamentalmente, estão apenas com os produtos da Jeep e a Fiat Toro [que dão resultados]. Esse é o problema atual da FCA. [Com o investimento bilionário], querem aumentar a participação do mercado”, disse o especialista que pediu para não ser identificado. 

Além disso, segundo o economista que trabalha com o setor automotivo há 14 anos Raphael Galante, a Fiat está em crise na Europa, com vendas em baixa e a ausência de Sergio Marchionne, o CEO que liderou o grupo nas últimas décadas, falecido subitamente em julho de 2018. Assim, quer "sobreviver em mercados periféricos, como o Brasil. É uma forma de se manter viva e gerar atratividade para a venda da operação”, afirmou.  

Além do dinheiro que vai entrar, a FCA também anunciou o lançamentos de 15 novos modelos - incluindo três novos SUVs, os “queridinhos” do brasileiro. Embora ainda paire no ar o mistério sobre quais serão os lançamentos e considerando que novas versões de carros que já estão no mercado entram na conta, a expectativa no mercado brasileiro é alta. E de fato, os números deste ano são animadores.

No primeiro quadrimestre deste ano, foram vendidos mais de 800 mil carros no Brasil, crescimento de cerca de 9% em relação ao mesmo período de 2018. Especialmente em abril, o resultado foi bem positivo: 221.131 unidades vendidas contra um volume médio de 193 mil considerando janeiro, fevereiro e março.

Resultado neutro - dado 2018 histórico

Assim, considerando que a FCA está tentando sobreviver, os resultados do primeiro trimestre deste ano não foram decepcionantes - após um 2018 histórico.

No último trimestre do ano passado, a empresa apresentou o melhor resultado da sua história comercializando 4,84 milhões de  veículos no mundo - cerca de 102 mil a mais do que no ano anterior. E o Brasil teve grande participação nisso: um crescimento de 14%, enquanto o mercado todo na média cresceu 13,8%.

Durante o evento da última quarta-feira (22), o CEO do grupo Michael Manley reiterou o que o COO Antonio Filosa já tinha afirmado em fevereiro: “tenho acompanhado o Brasil desde a recessão e estou muito otimista. Estamos felizes com o empenho do governo vem demonstrando para realizar as reformas estruturais tão necessárias”, afirmou.

Ainda, neste primeiro trimestre os resultados da fabricante vieram em linha com a expectativa da empresa.

“O mercado está respondendo entusiasticamente aos lançamentos dos nossos novos produtos e continuamos a executar iniciativas que fortaleçam as partes que performam menos no nosso negócio. Baseado nesses fatores, nossos resultados do primeiro trimestre estão em linha com as nossas expectativas, estamos confiantes para  2019", afirmou Manley.

No entanto, segundo o Market Watch, os resultados da empresa vieram abaixo do esperado pelo mercado. O lucro líquido da empresa caiu 47%, para 508 milhões de euros, ou 0,36 de euros por ação, abaixo do consenso da consultoria FactSet de € 0,47 por ação.

A receita líquida caiu 5% para 24,48 bilhões de euros também abaixo do consenso de 25,69 bilhões de euros, segundo o site. No entanto, considerando a América Latina, onde o Brasil é o maior mercado, a receita líquida subiu de 1,890 bilhão de euros para 1,932 bilhão de euros.

A participação de mercado do grupo no mundo subiu para 13,5% no trimestre contra 11,9% no mesmo período em 2018. Em relação ao Brasil, a participação de mercado no grupo aumentou para 18,6% contra 16,3% no mesmo período do ano passado.

Afinal, algo tem que justificar o investimento bilionário no Brasil a ponto de transformar a planta de Betim no segundo maior polo automotivo da América Latina, atrás somente de São Paulo.

A planta de Betim, inaugurada em 1976, já entregou 16 milhões de carros e exportou 3,5 milhões de unidades desde o início. “É uma planta muito especial para a FCA. Em termos de negócios e de pessoas, são mais de 20 mil funcionários”, afirmou Filosa.

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