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Acordo da Sony com Microsoft surpreende até equipe da PlayStation

Na semana passada, as empresas anunciaram uma parceria estratégica para desenvolver em conjunto uma tecnologia de streaming de jogos e hospedar alguns dos serviços on-line da PlayStation na plataforma de nuvem Azure

controle do PS4
(Reuters)

(Bloomberg) -- O acordo da Sony com a arquirrival Microsoft para o lançamento de jogos em nuvem surpreendeu o setor. Mas, talvez, o choque maior tenha sido dos próprios funcionários da divisão PlayStation da Sony, que passaram quase duas décadas competindo contra a gigante americana de software no mercado de consoles de videogame, que movimenta US$ 38 bilhões.

Na semana passada, as empresas anunciaram uma parceria estratégica para desenvolver em conjunto uma tecnologia de streaming de jogos e hospedar alguns dos serviços on-line da PlayStation na plataforma de nuvem Azure da Microsoft, com sede em Redmond. A PlayStation passou sete anos desenvolvendo seu próprio produto de jogos em nuvem, mas sem muito sucesso.

As negociações com a Microsoft começaram no ano passado e foram conduzidas diretamente pelo comando da Sony em Tóquio, em grande parte sem o envolvimento da unidade PlayStation, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Por isso, a equipe da divisão de videogames foi pega de surpresa pela notícia. Os gerentes tiveram que acalmar os funcionários e assegurar-lhes que os planos para o console da próxima geração da empresa não foram afetados, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas comentando assuntos internos.

Esse difícil momento é parte de uma dolorosa lição que a Sony e muitas outras empresas de tecnologia enfrentam, à medida que os principais provedores de computação em nuvem do mundo se tornam mais poderosos. Se uma empresa não estiver gastando bilhões de dólares por ano em centros de dados, servidores e equipamentos de rede, não consegue acompanhar.

Velocidades de Internet mais rápidas começam a permitir que os jogos sejam reproduzidos remotamente, sem a necessidade de uma máquina local. A novidade é uma ameaça para a PlayStation, que responde por 30% terço do lucro da Sony.

O Xbox, da Microsoft, enfrenta um risco semelhante, mas a gigante de software possui o segundo maior serviço em nuvem do mundo, por isso tem uma resposta estratégica. Os outros provedores líderes em nuvem, como Google e Amazon.com, estão desenvolvendo seus próprios serviços de jogos em nuvem.

Um porta-voz da Sony confirmou que as negociações com a Microsoft começaram no ano passado, mas não quis fornecer mais detalhes. Na terça-feira, Dia do Investidor da Sony, executivos como o responsável pela divisão PlayStation, Jim Ryan, vão detalhar a estratégia aos acionistas.

A grande questão é quem realmente ganha com a parceria. A maioria dos analistas concorda que, pelo menos a curto e médio prazo, o acordo é positivo para a Sony. O videogame em nuvem ainda não está pronto para o horário nobre. Quando o Google lançou o Stadia em março, alguns usuários relataram resultados instáveis, como atrasos no registro de ações e qualidade gráfica reduzida.

Os jogos em nuvem vão responder por apenas 2% da receita do setor até 2023, segundo a IHS Markit. É por isso que a Sony e a Microsoft estão avançando com seus consoles da próxima geração, com previsão de lançamento em 2020. Garantir acesso ao Azure oferece à Sony uma proteção poderosa contra um cenário em que os jogos em nuvem tornarão os consoles obsoletos.

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