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Amazon compra fatia da Deliveroo e pode "jantar" a Uber

Um dos argumentos da Uber para acalmar investidores sobre suas operações deficitárias é a oferta de serviços – entre eles, o delivery  

Deliveroo
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A gigante do varejo eletrônico Amazon anunciou um investimento de US$ 575 milhões para comprar uma fatia na empresa de entregas londrina Deliveroo. A investida transforma a empresa de Jeff Bezos no mais novo problema da Uber, que já passa por uma situação delicada em meio à aparente incapacidade de gerar dinheiro no médio prazo.

Em dezembro, a Bloomberg divulgou que a Uber estava negociando a compra da Deliveroo para reforçar suas operações no altamente competitivo mercado europeu de entregas de alimentos. Com o retorno da Amazon, que fechou a unidade da Amazon Restaurants no ano passado, essa competição pode acirrar consideravelmente.

A América Latina mostra por que a Amazon quer estar nesse mercado. O case da Rappi, que nasceu por aqui como um “delivery de tudo”, demonstra a força de plataformas de entregas de alimentos no negócio de varejo online em geral.

Neste contexto, a Deliveroo tem uma rede de entregas aparentemente suficiente para permitir que a Amazon acesse as maiores cidades britânicas com um serviço de entregas praticamente instantâneas. A expectativa é que os mesmos entregadores que levam alimentos dos restaurantes às casas dos clientes possam transportar produtos do Amazon Prime Now, que promete a entrega em até duas horas.

A Deliveroo diz que utilizará o dinheiro da rodada para expandir a equipe de tecnologia e rede de entregas.

Um dos diferenciais da startup (possivelmente o que chamou a atenção de Bezos) é a criação de centros de entregas pensados para otimizar a operação, as “dark kitchens”. São ambientes que não estão conectados a restaurantes específicos, mas em contêineres ao redor de Londres – e que ainda estão em fase de testes tanto pela Deliveroo como pelo próprio Uber Eats. Essa é uma das frentes que deve receber parte do aporte.

“Amazon vai jantar a Uber”

Para Alex Webb, articulista da Bloomberg Opinion, a Amazon tem capacidade de “jantar” a Uber com essa nova investida.

Ele argumenta que a diferença principal entre a relação Uber/Uber Eats e Amazon/Deliveroo está nas sinergias. “As pessoas que entregam comida no Uber Eats não são as mesmas que dirigem para a Uber”, escreve. “Isso expõe a Uber a uma debandada maior entre motoristas e entregadores, onde eles ficam mais propensos a migrar para um rival que ofereça mais renda”.

Tudo isso em um momento em que a Uber deve provar a investidores que tem como gerar lucro apesar das perdas bilionárias nos últimos anos. Um dos argumentos de Dara Khosrowshahi, CEO da empresa, é o da ampliação das operações para serviços mais rentáveis que a carona. Um desses serviços poderia ser, justamente, a entrega. 

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