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Cofundador do Facebook diz que está na hora de 'quebrar' a empresa

Em artigo no New York Times, Chris Hughes diz que o Facebook é muito poderoso e deveria ser quebrado em várias unidades  

Facebook
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Para Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, está na hora de acabar com a estrutura da companhia e quebrá-la em várias partes.

Hughes escreveu um artigo de opinião no jornal The New York Times no início deste mês, no qual classificou a estrutura atual do Facebook como um “monopólio poderoso” e sugeriu que as leis antitruste dos Estados Unidos fossem reforçadas para evitar novas aquisições pelo grupo de Mark Zuckerberg. Ele disse também que as aquisições do Instagram e WhatsApp deveriam ser desfeitas.

“Já faz 15 anos que cofundei o Facebook em Harvard, e não trabalho na empresa há uma década”, escreve Hughes no texto. “Mas sinto uma sensação de raiva e responsabilidade”, complementa o executivo, que acredita que era seu dever ter “soado o alarme” mais cedo.

A opinião de Hughes foi publicada em um momento que o Facebook promete fazer exatamente o oposto: integrar suas plataformas. Zuckerberg já anunciou planos de unificar as estruturas do WhatsApp, Instagram e Messenger para permitir o envio de mensagens intraplataformas sem, no entanto, extinguir nenhum dos aplicativos.

Os três maiores erros cometidos pela rede social, de acordo com o autor do artigo, são as práticas de privacidade (vide caso Cambridge Analytica); a resposta lenta a problemas como as fake news e a espionagem russa nos EUA; e a busca desenfreada por ocupar cada vez mais o tempo e a atenção dos usuários.

Zuckerberg poderoso demais

Para o cofundador crítico aos rumos que o Facebook tem tomado, o CEO e seu antigo parceiro de Harvard toma as decisões unilateralmente dentro da empresa. Vale lembrar que os criadores do WhatsApp e do Instagram deixaram suas companhias graças a esse traço da personalidade de Zuckerberg. 

Por deter 60% das ações do grupo, Zuckerberg sequer estaria submetido à pressão do conselho administrativo e dos acionistas. “Ele é humano, mas sua própria humanidade faz com que seu poder não controlado seja tão problemático”, dispara o ex-colega.

Na esteira disso, o que Hughes chama de “monopólio” das redes sociais impede que as pessoas interajam na internet sem mediação de uma mesma empresa. No fim das contas, um único empresário decide o comportamento virtual de bilhões de pessoas em todo o planeta.

Outro lado

O Facebook vem se reunindo com o governo americano em busca de uma regulação que seja positiva para o seu negócio. A empresa enviou uma resposta ao artigo mencionando essas conversas. Confira:

“O Facebook entende que com o sucesso vem responsabilidade. Mas você não impõe essa responsabilidade exigindo a cisão de uma empresa americana bem-sucedida. A responsabilidade das empresas de tecnologia só pode ser alcançada por meio da introdução diligente de novas regulações para a internet. Isso é exatamente o que Mark Zuckerberg tem pedido. Aliás, ele está se reunindo com líderes do governo nesta semana para dar continuidade a esse trabalho”

 

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