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Ação da Uber cai até 9%; investidores nunca perderam tanto num IPO

Quem participou da abertura de capital e vendeu as ações na última sexta-feira teve um prejuízo de US$ 655 milhões

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - As ações da Uber chegaram a cair até 9% nesta segunda-feira (13) após a abertura de capital (IPO) na última sexta-feira ter decepcionado o mercado. Às 11h30, os papéis registravam queda de 7,3%, cotados a US$ 38,59. 

A empresa fechou seu primeiro dia de pregão com desvalorização de 7,6%. O valor de mercado havia diminuído para US$ 69,7 bilhões, ante os US$ 75,5 bilhões da abertura. 

Isso significa que os investidores que entraram no IPO tiveram uma perda de US$ 655 milhões, considerando que foram vendidas 191 milhões de ações. Esse foi o maior prejuízo financeiro da história de IPOs dos EUA em uma estreia na Bolsa, conforme uma pesquisa de Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida.

Antes da Uber, o maior prejuízo da história havia acontecido durante a Bolha das pontocom no ano 2000. A Genuity, uma empresa era Verizon, perdeu US$ 277 milhões no primeiro dia.

Quebra de expectativas 

Os investidores estavam acompanhando de perto a estreia da Uber na bolsa, considerando que o valor de mercado na abertura foi de US$ 75,5 bilhões, abaixo dos US$ 82 bilhões precificados na véspera.

Assim, o IPO da Uber, que aconteceu seis semanas após a estreia de sua maior concorrente nos EUA, Lyft, decepcionou. No longo prazo, os investidores estão aguardando para ver se a empresa sofrerá o mesmo destino que a rival.

As ações da Lyft estão em queda livre desde a sua estreia no final de março, registrando baixa de 30% na comparação entre o preço de fechamento da última sexta-feira (10) e o do IPO, que foi de US$ 72.

Vale pontuar que a abertura das negociações da ação da Uber ocorre em um momento turbulento nos mercados financeiros, com a guerra comercial entre EUA e China alimentando uma nova onda de volatilidade que está abalando os mercados. 

Mas para além disso, há outras preocupações sobre a capacidade da empresa ser lucrativa no longo prazo. Em entrevista ao InfoMoney, os fundadores da 99 e Easy afirmaram que a Uber pode ter de aumentar preços de corridas

Quem conhece o setor de perto defende que o modelo beira o insustentável e os executivos acreditam que se as empresas de ride hailing não repensarem os negócios, não restará outra opção se não subir os preços - e os efeitos impactam diretamente o consumidor final.  

O desafio da companhia agora é provar que o seu negócio é sustentável e pode ser lucrativo - mesmo com o prejuízo de US$ 1,1 bilhão nos primeiros três meses deste ano. 

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