Em negocios / grandes-empresas

Como a reestruturação do GPA pode afetar a Via Varejo?

Anúncio do grupo Casino abalou as ações de Via Varejo e Pão de Açúcar. Investidores permanecem em dúvida sobre o futuro da dona de Casas Bahia e Ponto Frio  

Casas Bahia
(Divulgação)

SÃO PAULO – O grupo francês Casino confirmou nesta quinta-feira (9) que “estuda várias opções estratégicas para uma combinação de seus ativos latino-americanos”, notícia que derrubou as ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) nos últimos dois pregões e abalou a sequência de altas expressivas que a Via Varejo (VVAR3), subsidiária do grupo que engloba as operações de Casas Bahia e Ponto Frio, vinha apresentando neste mês.

Na esteira da notícia, a ação da Via Varejo, que acumulava alta de 15% nos primeiros sete dias do mês, despencou 4,03% na quarta-feira (8), data em que a notícia começou a circular extraoficialmente, e chegou a cair até 4,5% na manhã desta quinta.  

A queda aconteceu porque a notícia coloca ainda mais dúvida no futuro de uma empresa que já se encontrava em um gigantesco limbo. Há mais de um ano e meio o GPA colocou seu controle na Via Varejo à venda. Desde então, as operações apresentam poucas melhoras em um cenário em que a competição só aumenta — com o crescimento desenfreado do Magazine Luiza e a expansão de gigantes online como a Amazon.

Mas o cenário mudou quando, em teleconferência na manhã desta quinta, Peter Estermann, que acumula os cargos de diretor-presidente do GPA e da Via Varejo, garantiu que a estratégia do grupo para a subsidiária segue exatamente a mesma.

“Continuamos com a prioridade de vender a Via Varejo para um investidor estratégico até o final do ano, não tem mudança nenhuma”, disse. Essa fala fez com que as ações da companhia virassem da queda expressiva que viam pela manhã para alta de até 4% na Bolsa.

Em outras ocasiões, Estermann admitiu que existe a possibilidade de uma oferta secundária de ações para garantir a saída da empresa via mercado – nas falas mais recentes, porém, só menciona a venda.

Para o analista Ricardo Schweitzer, da Nord Research, um cenário possível é que o Casino aproveite essa reorganização societária para passar a controlar a Via Varejo. Nessa hipótese, o grupo francês aproveitaria a revenda para gerar caixa, já que, pela organização atual, seu único ganho com o negócio viria de eventuais dividendos.

“Uma operação como essa seria neutra para a ação”, aposta Schweitzer, dado que a venda estratégica seria mantida.

Grande parte da valorização da ação da Via Varejo na bolsa está ligada a uma premissa simples: o valor de mercado atual está fortemente deteriorado, e uma compra estratégica muito provavelmente aumentará esse preço consideravelmente. Neste sentido, pode-se dizer que nada mudou. “O valuation é suficientemente deprimido para justificar a compra [da ação] mesmo com os riscos da disputa societária”, diz o analista da Nord.

Seja sócio das melhores empresas da Bolsa. Invista em ações com taxa ZERO pela Clear. 

Em outra ponta, há analistas que preferem não arriscar até que a reorganização societária esteja mais clara. Thiago Salomão, da Rico, é um deles. “Se eventualmente a venda não acontecer, a empresa perde boa parte do potencial”, opina.

Quem vai comprar a Via Varejo?

Apesar dos anúncios recentes, uma dúvida continua: quem vai comprar a Via Varejo? Nos últimos anos, companhias estrangeiras como a americana Amazon e a chinesa Alibaba e varejistas brasileiras demonstraram interesse pelo negócio. Mas nada saiu.

Na semana passada, o conselho de administração da companhia revogou uma cláusula de seu estatuto que estabelecia que, caso algum acionista atingisse a participação de 20% ou mais uma oferta pública para comprar as demais ações seria necessária. A expectativa é que a medida facilite a venda da participação do GPA, que detém cerca de 36% das companhias.

Segundo dois executivos próximos da Via Varejo, a família Klein, fundadora da companhia, ainda mantém negociações para comprar a fatia do GPA. Fora isso, não há notícia de outras negociações em andamento. “Não há nenhuma empresa grande olhando. Ao mesmo tempo, nem o Casino nem a família Klein tem a capacidade de fazer a mudança que a empresa precisa, com o foco no digital” , avalia uma fonte.

Para Paulo Humberg, presidente da empresa de investimentos A5, o novo dono ideal da Via Varejo seria alguém com uma “cabeça digital”. “Os concorrentes estão muito bem posicionados nessas mudanças do mercado. O ideal comprador seria uma varejista com bastante conhecimento do mundo digital”, afirma.

 

Contato