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Greve da Uber foi um fiasco? Resposta vem no IPO nesta sexta-feira

A paralisação aconteceu em uma série de cidades ao redor do mundo    

Uber
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Na última quarta-feira (8), cerca de 30% dos motoristas de Uber de São Paulo fizeram uma greve e não trabalharam em protesto a mudanças nas tarifas e à abertura de capital (IPO) da empresa, de acordo com a Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp).

A greve foi marcada para esta semana justamente porque o IPO da empresa será precificado ainda nesta quinta-feira (9), e a estreia das ações em bolsa acontece na sexta-feira (10). A empresa busca um valor de mercado de US$ 90 bilhões - bem acima da sua principal concorrente, a Lyft, cujo valuation no IPO foi de US$ 24,3 bilhões. 

Os motoristas esperavam demonstrar seu descontentamento com a remuneração baixa das plataformas de caronas. Para os grevistas, é desrespeitoso que a Uber arrecade bilhões com um IPO e esses ganhos não sejam repassados aos seus "parceiros", como são chamados.

No entanto, muitas pessoas nem se deram conta de que uma paralisação aconteceu.

A greve foi um fracasso?   

A ação chamada de "Uber Off" aconteceu em uma série de cidades ao redor do mundo. Em Nova York, por exemplo, o site New York Post classificou a ação como um total fracasso informando que os carros da empresa estavam circulando normalmente e que os preços estavam  estáveis, sem grandes aumentos. Como aconteceu em São Paulo.

Um protesto de mais de 10 mil motorista era esperado em Nova York. Mas, ao site, um motorista da cidade norte-americana afirmou que não tinha nem ouvido falar sobre a paralisação e não tinha certeza de que ele teria participado se soubesse. 

"Se isso fizesse a diferença, eu teria participado. Mas eu não sei o que mudaria para nós, o IPO acontecer ou não", disse o motorista. 

O grupo que organizou a paralisação em Nova York - que se juntaram a grupos de Boston, Washington, DC, Chicago, Los Angeles e San Diego - afirmaram que os manifestantes estariam segurando cartazes e folhetos na entrada da 59th Street Bridge, no Queens. Mas não houve um número considerável de pessoas, segundo o site.

Uma fonte próxima à Uber informou que houve uma queda de apenas 500 motoristas em Nova York em comparação com o mesmo período na quarta-feira da semana passada. 

No Twitter, a hashtag da greve #UberStrike, não era recorrente, com muitos usuários postando sobre o perfil baixo da greve.

"Então, eu estava curioso sobre o impacto do ataque da Uber, mas está  surpreendentemente baixo!", disse usuário na rede social.

"Parece que muitos motoristas boicotaram a greve. Os tempos de espera nos horários de pico são mais ou menos normais e as ruas ainda estão congestionadas", publicou outro americano no Twitter.  

No Brasil, a pouca aderência dos motoristas também gerou comentários até no grupo da categoria no Facebook. "Hoje abri um app tinha 6 carros aqui do lado, e olha que não moro em área central. Ninguém aderiu", afirmou um dos participantes. 

"Para a Uber [a greve] não é um problema. Deviam boicotar e usar somente a 99 ou outro, um dia não vai adiantar pois sabem que amanhã [esta quinta-feira] já voltam ao trabalho", afirmou outro brasileiro. 

Um outro usuário participante do grupo de motoristas também informou que o app estava funcionando sem problemas. "Só em Belo Horizonte e região metropolitana existem quase 10 mil motoristas. Apenas uns 300 aderiram à greve por aqui. Se não tem preço dinâmico, é porque existe demanda alta de carros na rua, simples", comentou. 

Em nota, as organizações de motoristas nos EUA afirmaram que querem mais repeito. "Nós estamos paralisados para protestar contra a ganância e a destruição da Uber, Lyft e seus investidores de Wall Street. Em cada uma das nossas cidades, nossos protestos acontecem em momentos diferentes e com demandas exclusivas - mas estamos unidos como um conjunto de organizações trabalhistas com o objetivo comum de ganhar segurança no emprego, melhor renda e mais respeito". 

A movimentação das ações na Bolsa nesta sexta-feira, e nos pregões seguintes, deve dar uma ideia da capacidade dos "funcionários" da empresa mexerem com sua integridade. 

Greves podem ficar no passado (nos EUA)

De acordo com especialista consultados pelo site Market Watch, um destaque dos eventos da última quarta-feira (8) ao redor do mundo, mas principalmente nos EUA, foi que eles aconteceram - mesmo que em proporção menor do que o esperado.

A Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos (Bureau of Labor Statistics) tem acompanhando há muito tempo paralisações de trabalho, que incluem greves e bloqueios.

Em 1969, houve 412 paralisações envolvendo pelo menos mil trabalhadores nos EUA, segundo a secretaria. Em 2018, aconteceram apenas 20. 

Mas o que está por trás da queda nas paralisações e greves? "Tornou-se muito mais perigoso fazer uma paralisação trabalhista nos últimos 30 anos", disse Lawrence Mishel, economista do Economic Policy Institute.

O declínio da filiação sindical também tem sido um “fator importante”. Em 2018, 10,5% dos trabalhadores estavam em sindicatos, ante 20,1% em 1983, o primeiro ano da série histórica da secretaria. 

Um porta-voz da Uber nos EUA informou ao site que a empresa vai continuar "trabalhando para melhorar a experiência para e com motoristas.”

No Brasil, no entanto, a última greve desse feitio foi a dos caminhoneiros em maio do ano passado, que praticamente parou o país. 

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