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O "banco" do Magazine Luiza cresce muito, mas passa a dar prejuízo

O braço financeiro da varejista acelerou seu crescimento, mas as provisões levaram a operação ao prejuízo

Magazine Luiza
(Divulgação)

SÃO PAULO - Nas divulgações dos resultados trimestrais do Magazine Luiza uma operação chama cada vez mais atenção: o seu braço financeiro Luizacred. Com sua carteira de R$ 8,8 bilhões — uma alta de 48,3% em comparação com o primeiro trimestre de 2018 — a Luizacred é hoje a maior operadora de cartões de crédito do país, ultrapassando até mesmo a fintech mais popular do mercado brasileiro, o Nubank.

O avanço da Luizacred vem em um cenário em que cada vez mais as varejistas, sobretudo as com foco no e-commerce, expandem seus serviços financeiros. O Mercado Livre, por exemplo, já declarou que fará dos serviços financeiros seu carro-chefe de crescimento no país a partir deste ano. Seu braço financeiro, o Mercado Pago, obteve licença para atuar como instituição de pagamento no país e já oferece uma conta digital, cartão de crédito e maquininhas.

A Luizacred está longe de ser uma novidade dentro do Magazine Luiza. Criada em 2001, a empresa foi fruto da associação entre Unibanco (atualmente Itaú Unibanco) e a varejista. A marca iniciou suas atividades financiando clientes por meio do carnê e empréstimos pessoais e o cartão de crédito chegou em 2007. Apesar do histórico, foi do ano passado para cá que a Luizacred virou uma das estratégias fundamentais do Magazine para acelerar seu crescimento e fidelizar clientes.

“A operação da Luizacred sempre teve um bom nível de crescimento, mas com o nosso novo ciclo de crescimento começamos a olhar com calma essa operação e percebemos o potencial dessa área”, afirmou Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, em entrevista ao InfoMoney. Segundo Trajano, clientes que possuem o cartão de crédito do Magazine Luiza compram, em média, cinco vezes mais do que um cliente sem acesso ao serviço.  

Para impulsionar as vendas e a base de clientes com seu cartão, o Magazine Luiza misturou estratégias básicas do velho varejo com algumas tendências digitais. Do lado mais tradicional, a Luizacred oferece uma série de benefícios como a compra de produtos parcelados em até 18 vezes, juros mais baixos e ofertas exclusivas. Nas lojas físicas, os vendedores também recebem incentivo para oferecer os cartões aos clientes.  

Na estratégia digital da Luizacred, o foco é oferecer um serviço mais cômodo e ágil para o consumidor. “Atualmente, toda a aprovação de crédito na loja é automática. Em dois minutos o crédito é aprovado e o cliente já sai de lá com o cartão em mãos”, afirma Trajano. O Magazine também lançou o aplicativo do cartão de crédito que, em quatro meses, já conta com quase 500 mil downloads.

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Todo esse crescimento da Luizacred trouxe um impacto negativo para o balanço do Magazine no primeiro trimestre. A Luizacred teve um prejuízo de R$ 900.000 nos primeiros três meses do ano, em comparação com o lucro de R$ 38 milhões no primeiro trimestre de 2018. A perda ocorreu por conta de um aumento das provisões que a companhia fez para adotar um padrão internacional de provisão de crédito, o IFRS 9, e também por conta do aumento do aumento de provisões para cobrir o crescimento no número de clientes. “A Luizacred vai crescer muito mais e isso deve continuar impactando nosso balanço. Quando esse crescimento desacelerar, o resultado vem”, afirma Trajano.

Um banco do Magazine Luiza?

Além do Luizacred, o Magazine Luiza possui o Magalu Pagamentos, um serviço voltado para os lojistas que vendem em seu marketplace. Por meio da Magalu Pagamentos, os 3.750 clientes atuais podem pedir a antecipação de recebíveis. O valor é creditado ao lojista em uma conta digital e o objetivo do Magazine é completar essa conta oferecendo, por exemplo, linhas de crédito no futuro.

Investidores se perguntam se um banco independente seria o próximo passo do Magazine. Questionado sobre a possibilidade de os serviços financeiros do Magazine se transformarem em uma empresa separada para brigar na gigantesca indústria de pagamentos, Trajano afirma que o foco é utilizar todo os serviços de pagamento apenas para o fortalecimento do varejo.

“Já vimos exemplos no passado de varejistas em que a parte financeira acabou se tornando maior do que as operações do negócio principal. No curto prazo isso é ótimo, mas no longo prazo isso sempre traz problemas”, afirma. “Isso não significa que a gente não vai crescer muito e ganhar muito dinheiro com a Luizacred, mas sempre será um serviço do nosso varejo. Nunca algo a parte”, completa.

 

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