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Boeing deixa mecânicos sem supervisão e 787 Dreamliner apresenta falhas

A maioria dos erros foi detectada antes da entrega do avião a uma companhia aérea      

Boeing 787 Dreamliner da ANA
(Yuya Shino/Reuters)

SÃO PAULO - A Boeing, que está passando por uma fase conturbada após dois acidentes com o avião 737 Max e centenas de vítimas, pode enfrentar ainda mais problemas com uma outra aeronave: a 787 Dreamliner.

Dessa vez, não há vidas em risco - pelo menos não diretamente. Mas há falhas na linha de produção da aeronave, segundo informações do site The Post and Courier.

Os mecânicos da empresa estariam inspecionando seu próprio trabalho, sem a supervisão de um outro profissional. 

Os funcionários relataram que 90% da produção da aeronave faz parte desse programa de autoavaliação. A maior parte dos erros foi detectada antes da entrega do avião a uma companhia aérea - o que evitou mais uma polêmica em um momento difícil para a empresa.  

De acordo com relatos dos próprios funcionários ao site, os erros na linha de produção incluem detritos em sensores de velocidade do ar, assentos soltos, pneus com furos, engrenagens não testadas e sistemas hidráulicos com mau funcionamento.  

"Eu sempre encontro trabalhos não supervisionados e peças com defeitos. Isso acontece muito", disse um funcionário da Boeing que não quis se identificar. 

Na prática, embora permitir que os trabalhadores inspecionem seu próprio trabalho seja mais rápido para a produção, também compromete a segurança dos passageiros.

O tempo de produção da aeronave diminuiu com esse sistema, mas a desvantagem é que os funcionários gastaram mais tempo do que o normal para corrigir os problemas com o Boeing 787 antes dos primeiros voos de teste.

Ernesto González-Beltran, vice-presidente de controle de qualidade da Boeing, que trabalhou na Toyota e da Ford, não tinha experiência na indústria de aviação antes de chegar à Boeing. Segundo o site de notícias, foi ele quem expandiu esse programa de auto-inspeção.

"Uma parte da nossa evolução inclui a simplificação das inspeções para processos estáveis. Ao mesmo tempo, estamos aprimorando a inspeção tradicional com novos controles de processo, novas tecnologias e designs que tornam nosso trabalho menos suscetível a erros", afirmou Peter Pedraza, porta-voz da Boeing ao Business Insider. 

Segundo ele, os mecânicos que executam o trabalho sempre verificarão e garantirão que o "trabalho atenda aos padrões exigidos por órgãos reguladores". 

"A Boeing tem métodos rigorosos que garantem que nossos produtos finais cumpram com os requisitos normativos e de projeto. Estamos fortalecendo nossa qualidade e colocando recursos para reforçar nosso foco na prevenção de defeitos em todo o nosso sistema de produção", disse Pedraza. 

Nesta terça-feira (7), as ações da Boeing estavam caindo 3,16% às 13h30 (horário de Brasília). Nos últimos três meses, os papeis acumulam perdas de 11,79% - em consequência dos acidentes com o 737 Max. 

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