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Uber Off: motoristas farão greve internacional nesta quarta, antes do IPO

Motoristas da Uber no Brasil, EUA e Reino Unido prometem fazer uma paralisação de no mínimo oito horas no dia oito de maio   

uber aplicativo app
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Uber está marcada para a próxima sexta-feira (10) e deve ser a maior do ano e uma das maiores da história. Paralelamente, motoristas do aplicativo em alguns países prometem fazer uma paralisação de no mínimo oito horas neste dia - incluindo o Brasil. 

O InfoMoney entrou em contato com a Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (AMASP), que confirmou que haverá uma ação chamada "Uber Off" no dia do IPO e os motoristas vão desligar os aplicativos por 24 horas em São Paulo e "praticamente todo Brasil", segundo Eduardo Lima de Souza, presidente da entidade. 

Motoristas dos EUA das cidades de São Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filadélfia e Washington, D.C., prometem parar por 12 horas. No Reino Unido, os motoristas vão desligar os apps em Londres, Nottingham, Glasgow e Birmingham por oito horas, segundo informações do site Gizmodo. 

A greve está sendo organizada por diversos grupos de motoristas online e com o respaldo de entidades trabalhistas. Além da Amasp, o Sindicato dos Trabalhadores Independentes da Grã-Bretanha (IWGB) e associações como Gig Workers Rising, no norte da Califórnia, Rideshare Drivers United, em Los Angeles, e Chicago Rideshare Advocates também estão auxiliando a greve. 

Os profissionais alegam que o processo de IPO não vai mudar em nada a remuneração pelo trabalho, ao passo que vai enriquecer a empresa. Além do aumento de salário, eles também querem benefícios básicos, transparência na tomada de decisões e uma voz maior para os condutores.  

Segundo Souza, aqui no Brasil a greve terá ainda mais força "pelo aumento das tarifas", que é o principal problema. "Nossas corridas estão muito defasadas. Os motoristas recebem quase nada. Está pagando para trabalhar. Não tem condições de ter um carro melhor, é a segurança do próprio passageiro que está em jogo". 

"No Rio de Janeiro, por exemplo, a situação está complicada. O litro de gasolina está custando R$ 5, é o preço de uma corrida curta. Não faz sentido. É inadmissível", afirma Souza. 

O presidente da Amasp afirma que haverá manifestações físicas na porta da sede da Uber em São Paulo. 

Vale lembrar que o STF pode retomar, também na quarta-feira, julgamento sobre as legislações estaduais que proibiram a atuação de motoristas de apps. 

Mostafa Maklad, motorista da Uber em São Francisco reitera a versão de Souza.

“Queremos um salário digno. A maioria dos motoristas de São Francisco é obrigada a trabalhar pelo menos 70 a 80 horas por semana para sobreviver na cidade. Temos que dirigir mais e mais, lidar com problemas de saúde e estresse, mas a Uber não liga. O que ela está fazendo é diminuir o pagamento para os motoristas”, afirmou Maklad ao Gizmodo. 

O InfoMoney contatou a Uber para pedir um posicionamento e saber da situação no Brasil, mas até o momento da publicação deste matéria não obteve resposta.  

Contexto no exterior 

As tensões envolvendo as condições de trabalho dos motoristas de Uber nos EUA já vem acontecem há um tempo.

Na tentativa de prover uma situação melhor, Nova York adotou o primeiro piso de pagamento do país para os motoristas de aplicativo em dezembro. O estado de Connecticut está avaliando uma lei bem parecida para o piso salarial, e a Califórnia em breve pode aprovar um projeto de lei que dificultaria a classificação de funcionários como terceiros.

A empresa liderada por Dara Khosrowshahi busca um valor de mercado de US$ 90 bilhões. A Lyft, principal concorrente nos EUA, estreou na Bolsa em março valendo US$ 24,3 bilhões. 

Segundo o site, as greves organizadas anteriormente pelo IWGB contaram com centenas de motoristas e, também como antes, o sindicato britânico está pedindo para os passageiros escolherem outros métodos de transporte para o dia oito de maio. 

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