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Warren Buffett divulga lucro da Berkshire, fala sobre Amazon e Kraft Heinz em reunião anual

Resultados desconsideram números da Kraft Heinz, que irá reenviar balanços desde 2016 em meio a uma investigação da SEC  

Warren Buffett
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, divulgou neste final de semana o resultado trimestral em tradicional reunião com acionistas sediada pelo megainvestidor, seu companheiro de longa data Charlie Munger e os recém-nomeados VPs Ajit Jaim e Greg Abel - cotados para tomar as rédeas da empresa quando Buffett (88) e Munger (95) se aposentarem.

Como de costume, os executivos da Berkshire usaram a reunião para falar sobre algumas movimentações relevantes dentro da gestora. Entre elas, os problemas da Kraft Heinz e o investimento recente na gigante do comércio eletrônico Amazon.

No período, a gestora lucrou US$ 21,66 bilhões, desconsiderando os números da Kraft Heinz, que estão sob investigação da SEC. “A Berkshire não tem informações financeiras necessárias para determinar sua fatia da receita da Kraft Heinz no primeiro trimestre de 2019”, diz a carta oficial dos resultados. Nesta segunda, a empresa de alimentos industrializados disse que irá reenviar resultados desde 2016 por conta das revisões feitas junto ao órgão regulador. 

Kraft Heinz

De acordo com representantes da imprensa que participaram da reunião, a Kraft Heinz foi mencionada em diversas oportunidades. Buffett manteve em seu discurso o posicionamento de que a 3G e a Berkshire pagaram caro demais pela Kraft.

“O negócio é excelente, mas é possível pagar caro demais por um negócio excelente”, comentou o megainvestidor, lembrando da aquisição há poucos anos. Segundo ele, a empresa melhorou a lucratividade, mas o cenário para marcas focadas em produtos está consideravelmente mais competitivo - e os negócios estão virando na direção de varejistas, como Walmart e Amazon. "É possível transformar qualquer investimento em um mau negócio se pagar caro demais". 

Ainda a respeito do preço certo, o sócio e companheiro de longa data de Buffett, Cherlie Munger, disse que o problema da Berkshire em fechar negócios "é que as pessoas estão dispostas a pagar mais que nós". 

Embora haja novas preocupações sobre a inviabilidade do modelo 3G de cortes de custos, Buffett disse que não há grandes mudanças planejadas para a gestão da companhia. Ele lembrou que a Kraft Heinz vem apresentando números melhores que os das duas empresas quando operavam separadas.

Amazon

Um dos gestores independentes da Berkshire, Todd Cumbs ou Ted Weschler, comprou uma fatia da Amazon, aumentando a exposição da gestora à indústria de tecnologia.

Vale lembrar que, em ocasiões anteriores, Buffett havia elogiado Jeff Bezos e classificado como um erro o fato de não ter comprado ações da Amazon. 

Na reunião, Buffett disse que o aporte na gigante do comércio eletrônico se enquadra no “value investing” sempre defendida pela Berkshire – observação interessante, dado que, em geral, a estratégia se baseia em comprar empresas com potencial enquanto ainda "baratas", e a Amazon já é a terceira companhia mais valiosa do mundo. 

"Value investing é sobre estimar e avaliar fluxos de caixa futuros, não sobre quão baixo um preço a mercado ou uma relação entre preço e receita está para uma ação", disse o megainvestidor. 

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