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Ação da Stone despenca até 24% e PagSeguro até 11,5% com taxa zero da Rede

Itaú anunciou na noite passada que não cobrará parte dos clientes por antecipação de recebíveis  

Stone
(Divulgação)

SÃO PAULO – A credenciadora de pagamentos Stone tem uma véspera de feriado sombria na bolsa de valores em Nasdaq. As ações despencavam até 24,2% no início do pregão depois da notícia que a Rede, concorrente pertencente ao Itaú, irá zerar antecipação de recebíveis em um segmento de clientes.

Também negociada fora do país, a PagSeguro chegou a cair 11,5% diante das mesmas notícias. Na bolsa nacional, a Cielo vê queda de até 8,4%. Os dados foram coletados às 11h38.

A partir de 2 de maio, clientes Rede com domicílio bancário no Itaú e faturamento de até R$ 30 milhões anuais não pagarão taxa para antecipar recebíveis de cartões de crédito. Compras realizadas à vista cairão na conta em até 2 dias sem custos extras.

Para o analista André Martins, da XP Investimentos, a Stone é, de fato, a maior prejudicada pela nova política do Itaú. “A Stone deve ser mais impactada, uma vez que atua principalmente no mercado de PMEs e possui maior exposição relativa ao pré-pagamento em seus resultados”, diz.

Segundo ele, a antecipação de recebíveis corresponde a metade da receita total da Stone, já que suas taxas de transação (MDR) sempre foram muito baixas. Além disso. Quando um player zera essa taxa, nasce uma pressão para que a concorrência também melhore suas condições, e a Stone é a mais machucada por isso. Comparativamente, apenas 13% da receita da Cielo depende da antecipação.

A antecipação de até 100% recebíveis oferecida pela verdinha é diária (D+1), com taxa proporcional ao número de dias antecipados, sendo 4% para os 30 dias. 

O Morgan Stanley coloca a Stone como competidora direta da Rede, disputando exatamente a mesma fatia de mercado. “Provavelmente sofrerá mais”, dizem os analistas, que não souberam quantificar numericamente o impacto nas contas da empresa por não haver dados disponíveis suficientes no balanço.

Martins lembra que o 'meio da pirâmide', ou seja, as pequenas e médias empresas, sempre foram o maior alvo da Stone - e serão justamente as beneficiadas pelas novas condições da Rede, pelo limite de faturamento.

"A PagSeguro é mais pulverizada e praticamente criou o segmento de [adquirência para] microempreendedor, que é menos sensível a preço e acaba pagando caro justamente por ser menor", explica. Por isso, a dona das moderninhas sofre menos neste momento, "mas ainda assim vai ser pressionada para revisar suas políticas em alguns casos".

Float

Vale lembrar que o próprio Itaú está abrindo mão de receita ao liberar dinheiro aos lojistas em apenas dois dias sem contrapartida. Esse montante, pago por padrão após 30 dias, gera rentabilidade às adquirentes. Martins calcula a perda da Rede em meio milhão de reais por ano. 

"A grande verdade é que os bancos podem fazer esses movimentos agressivos porque a adquirência é apenas um de seus vários serviços. Para essa mesma empresa que oferece adquirência, o Itaú traz capital de giro, folha de pagamento, entre outros. Para manter esse cliente em casa você abre mão dessa receita", diz. 

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