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Europa evita banir Huawei, mas reguladores de 5G apertam o cerco

Os EUA têm se empenhado em uma campanha para manter as empresas de tecnologia chinesas fora das redes avançadas 5G que prometem conexões mais rápidas, permitindo serem usadas em veículos autônomos e cirurgias remotas

logo da Huawei no prédio-sede da empresa
(Tyrone Siu/Reuters)

(Bloomberg) -- A possibilidade de a Huawei Technologies fazer incursões na futura infraestrutura de telecomunicações da Europa pode estar mais relacionada a obstáculos regulatórios do que proibições definitivas.

Os EUA têm se empenhado em uma campanha para manter as empresas de tecnologia chinesas fora das redes avançadas 5G que prometem conexões mais rápidas, permitindo serem usadas em veículos autônomos e cirurgias remotas. A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as empresas podem ser ferramentas para a espionagem de estado.

Embora nenhuma agência europeia tenha especificamente mencionado a Huawei, as advertências dos EUA não passaram despercebidas: os reguladores da região têm endurecido os padrões que podem atingir a Huawei mais duramente do que a Nokia e a Ericsson, seus principais rivais europeus.

Na Alemanha, as autoridades propuseram regras de segurança mais rígidas para as redes de dados, em vez de proibirem a Huawei. O Reino Unido está atualmente considerando os resultados de uma revisão sobre a resiliência da cadeia de fornecimento de telecomunicações.

O parlamento francês começou a debater este mês um projeto de lei para sujeitar os equipamentos a testes equivalentes aos que são sujeitos fornecedores que entregam segredos industriais para concorrer a contratos. Nokia e Ericsson disseram que vão obedecer às regras.

A batalha pelo futuro da Huawei na infraestrutura europeia está chegando a um momento crucial. As operadoras de telecomunicações no continente, avançando em direção ao lançamento do 5G, estão atualizando contratos para construir redes. Antes do início das tensos entre China e EUA e a atual batalha comercial, a Huawei estava pronta para operar em posição privilegiada a fim de obter negócios lucrativos.

“Vimos o progresso na Europa. Estruturas baseadas em risco estão sendo implantadas. Não se trata apenas de proibir a tecnologia”, disse Rob Strayer, vice-assistente de políticas cibernéticas do Departamento de Estado dos EUA, em recente telefonema a repórteres.

Políticos europeus fizeram esforços significativos para evitar acusar empresas chinesas. Durante a visita oficial do presidente chinês Xi Jinping à França no mês passado, Emmanuel Macron e seus assessores evitaram qualquer discussão pública sobre a Huawei ou a segurança cibernética. Em vez disso, Macron disse que a Europa está tentando construir “uma estratégia coerente” com a China.

“Há duas coisas em que não acredito”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em uma conferência em março, em Berlim. “A primeira, discutir publicamente essas questões de segurança muito sensíveis e, a segunda, excluir uma empresa simplesmente porque é de um determinado país”.

Por sua vez, a Huawei protestou, dizendo que as alegações dos EUA não têm fundamento.

Apesar da falta de uma proibição de fato, os EUA elogiaram os seus aliados europeus e enviaram avisos sobre a abordagem europeia. Ellen Lord, subsecretária de defesa dos Estados Unidos para aquisição e sustentação, chamou a relutância europeia a banir a fabricante chinesa de equipamentos de “uma grande preocupação”, ao mesmo tempo em que elogiava a região pela “inclinação em trabalhar conosco”.

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