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Bezos lança desafio para concorrentes: aumentar os salários

Executivo do Walmart disse em um tuíte que a "grande maioria" dos funcionários dos depósitos da empresa ganha mais de US$ 15 por hora "há muito tempo"

Jeff Bezos - CEO Amazon
(Gus Ruelas/Reuters)

(Bloomberg) -- Gigantes do varejo dos Estados Unidos acordaram na quinta-feira com mais um desafio lançado pelo diretor-presidente da Amazon.com, Jeff Bezos. Desta vez, convocando os concorrentes a igualar o recente aumento do piso salarial da empresa, para US$ 15 por hora.

"Façam isso! Melhor ainda, aumentem para U$ 16 e nos devolvam o desafio”, Bezos escreveu em sua carta anual aos acionistas. "É um tipo de competição que beneficiará a todos."

A provocação vem de uma empresa que está sob forte pressão para melhorar as condições de trabalho em todo o mundo. Quando a Amazon prometeu em outubro aumentar o piso salarial da empresa para US$ 15 por hora nos EUA, a gigante do comércio eletrônico também eliminou bônus mensais e prêmios em ações. Diante da mão de obra escassa, o Walmart e a Target também elevaram salários e benefícios.

"Estamos finalmente vendo a beleza dos mercados de trabalho apertados", disse Dave Cooper, analista do Instituto de Política Econômica, um think tank. "E, se puderem forçar seus concorrentes a pagar mais, serão dólares extras para os gastos dos trabalhadores."

Uma ressalva é que a força de trabalho da Amazon trabalha principalmente em centros de distribuição, que normalmente pagam mais do que as lojas por causa da natureza física e mais exigente desses postos, segundo Charles Allen, analista da Bloomberg Intelligence. Trabalhadores do setor do atacado, com funções semelhantes às dos centros de distribuição, recebem cerca de US$ 31 por hora, 61% a mais que o salário por hora do varejo, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA.

O vice-presidente executivo de assuntos corporativos do Walmart, Dan Bartlett, disse em um tuíte que a "grande maioria" dos funcionários dos depósitos da empresa ganha mais de US$ 15 por hora "há muito tempo".

Abaixo estão as condições trabalhistas oferecidas pelas maiores varejistas dos EUA:

Walmart

  • O piso salarial do Walmart - por muito tempo criticado por achatar salários e horas de seus colaboradores - está abaixo do nível proposto por Bezos. O maior empregador do setor privado dos EUA, no entanto, tem buscado melhorar sua imagem tendo reajustado os salários várias vezes nos últimos anos. O atual piso é de US$ 11 por hora, e a empresa também ampliou os benefícios como licença maternidade e parental.

Target

  • A Target está mais perto. A varejista, que oferece um mix de artigos sofisticados e mais baratos, anunciou recentemente que subirá seu piso salarial para US$ 13 por hora a partir de junho, o que significaria um reajuste para dezenas de milhares de trabalhadores. A empresa não especificou exatamente quantos funcionários seriam beneficiados.

Costco

  • A Costco Wholesale, que frequentemente paga os melhores salários do setor, acaba de elevar o piso da empresa para US$ 15,50 por hora. O sucesso da cadeia atacadista é explicado em parte por sua habilidade em manter uma força de trabalho estável e satisfeita. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de entrevista para comentários.

Essas três empresas, no entanto, são raras exceções quando se trata de comentar política salarial. A maioria das varejistas, como a rede de eletroeletrônicos Best Buy, continua de boca fechada sobre o assunto.

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