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Facebook tem novo escândalo de dados, mas ações batem recorde de alta

Milhares de dados de usuários foram encontrados em serviço de nuvem da Amazon. Ações atingiram o valor mais alto dos últimos sete meses

Mark Zuckerberg
(Reprodução)

SÃO PAULO - O Facebook enfrenta ameaças regulatórias que podem mudar todo o modelo de negócios da empresa. Ainda assim, suas ações atingiram o patamar recorde dos últimos sete meses, chegando a US$ 174,22 por papel, na terça-feira (02). Com isso, o valor de mercado da empresa subiu US$ 140 bilhões desde dezembro — quando os papéis sofreram uma derrocada — e chegou a US$ 497 bilhões.

Nesta quarta-feira os papéis do Facebook seguem em alta (de 0,20%) mesmo após uma reportagem da Bloomberg que botou ainda mais lenha no problema. Segundo a notícia, a companhia de cibersegurança UpGuard encontrou milhares de informações de usuários do Facebook postados publicamente no serviço de nuvem da Amazon.

A revelação desta quarta mostra que os dados dos usuários da rede social permanecem sem proteção mesmo um ano após o escândalo da Cambridge Analytica. Na época, o Facebook foi acusado de permitir que os dados pessoais de dezenas de milhões de pessoas fossem compartilhados com a consultoria política Cambridge Analytica nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016.

A alta recente das ações do Facebook, que também reúne os negócios das redes sociais Whatsapp e Instagram, acontece depois de um artigo publicado pelo CEO Mark Zuckerberg em que ele admite que o Facebook precisa ser regulado para lidar com o problema de dados e outras deficiências da plataforma e recomenda que essa regulação seja global. "Precisamos de nova regulação em quatro áreas: conteúdo nocivo, integridade de eleições, privacidade e portabilidade de dados", escreveu Zuckerberg na publicação, divulgada no jornal The Washington Post.

O artigo marca seu esforço mais visível até agora para controlar as polêmicas e ameaças de regulação que o Facebook vem sofrendo em diferentes países, principalmente por conta do modo como a empresa coleta, usa e distribui informações de seus usuários.

Nos últimos meses, analistas alertaram que uma regulação poderia impactar diretamente os negócios da empresa. Isso porque o crescimento da receita e o lucro de bilhões de dólares do Facebook estão ligados justamente à coleta de inúmeros dados de seus usuários e a maneira como a empresa facilmente disponibiliza essas informações aos anunciantes.

O artigo de Zuckerberg também foi visto como uma tentativa da empresa de empurrar o problema de dados que enfrenta para os reguladores. “É uma admissão de que a segurança de dados é algo grande demais para o Facebook lidar e de que eles estão esperando o governo lhes dizer o que fazer e o que não fazer”, disse Natasha Lam, gestora de um fundo e investidora do Facebook, criticando o artigo publicado por Zuckerberg .

O analista Youssef Squali, da gestora SunTrust Robinson Humphrey afirmou que o fato de Zuckerberg tomar controle da narrativa sobre regulação é um movimento inteligente. “Esse movimento a) coloca o ônus de resolver esses problemas aos reguladores; b) mostra que o Facebook investiu claramente mais tempo, esforço e dinheiro tentando resolver esses problemas e, como resultado, é provável que esteja melhor posicionado para cumprir as regras", afirmou em uma nota aos clientes.

Por hora, os investidores parecem concordar com Squali. Com US$ 140 bilhões a mais ou a menos em seu valor de mercado, as incertezas de regulação do Facebook e seu problema com os dados dos usuários permanece.

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