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Fiasco da Lyft na Bolsa pode ser uma lição para a Uber?

Analista acredita que Uber deve "ficar atenta com as reações dos investidores" no IPO da concorrente        

Lyft
(Shutterstock)

SÃO PAULO - As ações da Lyft apresentaram queda dois dias consecutivo após seu IPO (abertura de capital na Bolsa). Nesta quarta-feira (3), os papéis estavam subindo 2,7%, mas na última terça as ações chegaram a cair 4,2% após despencar 12% na segunda-feira. 

O IPO da Lyft, que é o maior do ano até agora nos EUA, prepara o terreno para outros unicórnios do Vale do Silício que pretendem estrear no mercado de ações em 2019, incluindo sua maior concorrente Uber.

Uma série de investidores interessados no crescimento de receita da Lyft entraram na oferta depois de passar por um longo período com poucos IPOs de empresas de tecnologia. A expectativa era alta. 

"Há dinheiro para ser investido em tecnologia. Esta é uma nova área e as pessoas estão definitivamente interessadas em explorá-la", disse Catherine McCarthy, analista de pesquisa da Allianz, à CNBC.

Lição para Uber?

Esse início conturbado para a Lyft pode acender um sinal de alerta para a concorrente Uber, que deve iniciar o processo de IPO este mês, segundo rumores do mercado.

Rett Wallace, CEO da Triton Research, afirmou que não está “surpreso” com a queda das ações da Lyft e que ainda é cedo para a Uber tirar alguma conclusão desses primeiros dias de pregão da concorrente. No entanto, sugere que a empresa deve “ficar atenta com as reações dos investidores” nos próximos dias. 

IPOs como o da Lyft e outras unicórnios deficitárias representam um verdadeiro dilema para os investidores, que estão em cima do muro: não querem perder a chance de investir em empresas populares com rápido crescimento, mas devem pesar os riscos de empresas com balanços instáveis.

A Lyft fechou 2018 com um prejuízo de US$ 911 milhões ante perdas de US$ 688 milhões em 2017, apesar de a receita ter dobrado no ano passado, chegando a US$ 2,16 bilhões.  

"Todo gestor de portfólio terá que tomar uma decisão nos próximos 12 a 18 meses sobre esses novos IPOs. É uma parte crescente do mercado", disse o presidente da JMP Securities, Mark Lehmann.

E, claro, a Uber, que também é deficitária, não fica de fora. A empresa poderia ser avaliada em cerca de US$ 128 bilhões para o seu IPO se considerarmos os mesmos múltiplos que a Lyft, segundo o CNBC.

"Com a Uber e a Lyft se tornando empresas públicas, os acionistas esperam que elas racionalizem os preços das caronas a níveis sustentáveis", disse Paul Hudson, sócio-fundador da Glade Brook Capital Partners.

Investidores precisam “ter fé”

Alguns analistas do mercado não estão otimistas com esses altos e baixos da Lyft desde sua estreia na bolsa.

Michael Ward, analista da consultoria Seaport Global Securities, iniciou a cobertura das ações com recomendação de venda e um preço-alvo de US$ 42 por ação para 12 meses - isso representa uma queda de 39,1% em relação ao fechamento de segunda-feira (1) de US$ 69,01. No dia do IPO os papéis estavam sendo negociados a US$ 72.

Para Ward, uma das preocupações é o valor de mercado da empresa. "Para justificar seu atual valor de mercado, os investidores precisam 'ter fé' de que os millennials e gerações posteriores vão renunciar ao carro e optar por um serviço de compartilhamento de viagens", disse o analista.

Ele acredita que o mercado de compartilhamento de viagens continuará crescendo e que a Lyft será um dos principais players do setor. No entanto, "as avaliações atuais refletem uma visão excessivamente otimista do comportamento do consumidor nos EUA", complementou.

A Lyft foi avaliada em mais de US$ 22 bilhões quando estreou na bolsa na semana passada. No entanto, a empresa registrou uma perda líquida de quase US$ 1 bilhão em 2018 e não apresentou uma estratégia clara para se tornar lucrativa em um futuro breve.

Competição

A Lyft, em dezembro, tinha 39% de participação de mercado nos Estados Unidos, acima dos 35% do ano passado. Enquanto a Uber era dona de 59%.

O presidente da companhia, Sean Aggarwal, afirmou que a empresa continuará a priorizar o crescimento norte-americano em relação à expansão internacional depois de concluir seu IPO.

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A Uber está presente em mais de 70 países e se consolidou em alguns mercados internacionais, enquanto a Lyft se manteve nos Estados Unidos e no Canadá.

"Focar neste mercado [EUA] e expandir nele é como conseguimos entregar aos nossos acionistas as expectativas de longo prazo que estabelecemos", disse Aggarwal.

 

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