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Conselho de ética do Google desaba em apenas uma semana

Grupo foi montado para ajudar a empresa a tranquilizar seus críticos, mas ainda assim lucrar com acordos no ramo de computação em nuvem

Aplicativos Google
(Shutterstock)

(Bloomberg) -- O Google recentemente nomeou um conselho externo de ética para lidar com questões polêmicas em inteligência artificial.

O grupo foi montado para ajudar a empresa a tranquilizar seus críticos, mas ainda assim lucrar com acordos no ramo de computação em nuvem.

Em menos de uma semana, o conselho está ruindo, ameaçando a chance do Google de conseguir mais contratos de computação em nuvem com as forças armadas.

No sábado, Alessandro Acquisti, especialista em economia comportamental e pesquisador na área de privacidade, anunciou que não trabalhará no conselho.

“Embora eu seja devotado a pesquisas para lidar com questões éticas importantes de justiça, direito e inclusão em IA, eu não acho que este seja o fórum certo onde eu possa fazer este trabalho importante’’, escreveu Acquisti no Twitter. Ele não retornou solicitação de comentário da reportagem.

Na segunda-feira, funcionários começaram a circular uma petição para pedir a saída de outra pessoa do conselho: Kay Coles James, presidente de um instituto conservador que lutou contra leis de direitos iguais para homossexuais e transgêneros. Em menos de duas horas, mais de 300 empregados haviam assinado a petição de forma anônima.

O ativismo dos funcionários em temas como igualdade de salários entre homens e mulheres, assédio sexual, negócios com a China e ética em IA abalou o Google ao longo do último ano.

Os protestos funcionam. A companhia desistiu de um contrato com as forças armadas dos EUA para desenvolver tecnologia de reconhecimento de objetos para drones, atraindo críticas do presidente Donald Trump e outros políticos. O Google mudou práticas internas após milhares de funcionários cruzarem os braços para protestar contra o modo que a empresa lidava com acusações de assédio sexual.

Políticos de perfil conservador reclamam de discriminação pelos algoritmos e moderadores de conteúdo nos resultados de buscas do Google e no YouTube, embora não existam provas. Para os conservadores, a nomeação de Coles James — que dirige um influente instituto de direita, a Fundação Heritage — poderia ser um sinal de que o Google está ouvindo suas queixas.

Ativistas e especialistas em IA pediram que o Google retire do conselho Dyan Gibbens, presidente da Trumbull Unmanned, que faz tecnologia para drones. Antes de abrirem a empresa, Gibbens e outros fundadores da Trumbull trabalharam em drones para as forças armadas dos EUA. O uso de IA para fins militares é tema de discórdia entre muitos funcionários do Google.

Joanna Bryson, professora de ciência da computação na Universidade de Bath, na Inglaterra, também foi nomeada ao conselho pelo Google. Ela disse que tinha reservas em relação a outros integrantes do conselho. "Acreditem ou não, sei coisas piores sobre um dos outros", afirmou ela no Twitter em resposta ao questionamento sobre a nomeação de Coles James. "Sei que pressionei [o Google] antes sobre algumas associações deles e eles disseram que precisam de diversidade para serem convincentes para a sociedade como um todo, como por exemplo, o Partido Republicano" dos EUA.

Inteligência artificial é fundamental para o futuro do Google. A empresa gastou centenas de milhões de dólares na aquisição de startups de IA e em pesquisa. A tecnologia também é argumento de venda essencial do negócio de nuvem, que ganha importância à medida que o crescimento da receita com anúncios vinculados a buscas se desacelera. Uma porta-voz do Google não retornou imediatamente uma solicitação de comentário.

O conselho de IA não tem poder de veto nas atividades do Google e seu propósito é oferecer “perspectivas diversas" que possam ser usadas em nosso trabalho, afirmou o diretor jurídico do Google, Kent Walker, em um blog em 226 de março.

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