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Nestlé vê mercado em gestantes após 150 anos de foco nos bebês

Negócio pode sair de US$ 80 milhões atualmente para algo entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em 10 anos

Grávida
(Wong Mei Teng/sxc.hu)

(Bloomberg) -- Após mais de um século vendendo leite em pó para bebês, a Nestlé se deu conta de que negligenciou outra potencial clientela: as mamães.

A gigante suíça está expandindo sua linha para gestantes e lactantes, acrescentando produtos que prometem reduzir riscos à saúde relacionados à maternidade. O negócio pode sair de US$ 80 milhões atualmente para algo entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em 10 anos, segundo Thierry Philardeau, responsável pela área de nutrição.

"Queremos estar na junção entre alimentos e farmacêuticos", disse o executivo em entrevista na sede da empresa em Vevey. "O potencial é enorme."

A linha atual inclui suplementos para prevenir diabetes gestacional (introduzidos no ano passado) e leite em pó fortificado. Uma análise feita em 2015 pela Cochrane, que revisa estudos e evidências médicas para tomada de decisões, encontrou benefício potencial no principal ingrediente, o mio-inositol, para prevenção da doença. No futuro, a marca Materna da Nestlé poderá incluir chás e suplementos destinados a evitar partos prematuros.

Esses produtos podem ampliar o alcance da Nestlé entre mães que não compram leite em pó para seus bebês, oferecendo oportunidades de crescimento em um mercado vulnerável à desaceleração da taxa de natalidade em boa parte do mundo. O presidente da companhia, Mark Schneider, vem trabalhando para expandir os negócios de crescimento mais rápido, que incluem café e alimentos para animais de estimação, e reduzindo a atuação em ramos mais lentos como carne processada e doces.

A Nestlé é líder em alimentação para bebês, com 20% de um mercado que movimenta US$ 82 bilhões, segundo a Euromonitor International. Mas a concorrência está esquentando entre a empresa suíça, a Danone e a Reckitt Benckiser Group, que comprou a Mead Johnson em 2017. A A2 Milk, fundada há pouco tempo na Nova Zelândia, vem ganhando espaço no mercado chinês com um tipo de leite em pó de fácil digestão e sua estratégia logo foi adotada pela Nestlé.

Desnutrição e obesidade durante a gravidez aumentam o risco de diversos problemas para os filhos, incluindo diabetes e doenças cardiovasculares, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Convencer as mães dos benefícios dos suplementos é o maior desafio, revelou Philardeau. A Nestlé está visitando ginecologistas e drogarias e reforçando as equipes de vendas. Chloe Yang, auditora de 30 anos que mora em Guangzhou, na China, tomou vitaminas Materna, da Nestlé, quando estava grávida há dois anos porque recebeu o produto de graça de profissionais de saúde de Hong Kong.

“Eu estava cética sobre a necessidade de tantas vitaminas diferentes, mas tomei porque tanta gente recomendava, incluindo os médicos”, disse Yang.

Danone, Reckitt Benckiser e Abbott Laboratories também oferecem produtos para as mães. A Abbott vende o suplemento líquido Similac Mom, para uso durante a gravidez e lactação. A Mead Johnson vende suplementos alimentares sob as marcas Enfamama e Enfamil. As três empresas se recusaram a comentar seus planos.

Na Nestlé, Philardeau planeja focar em produtos destinados a evitar problemas específicos que as mulheres enfrentam quando estão grávidas ou amamentando, como diabetes gestacional, partos prematuros e dores nos seios. A Nestlé já vende alguns dos produtos mais comuns para essa fase, como suplementos contendo probióticos, ácido fólico ou vitamina D.

A linha da Nestlé para mulheres grávidas e mães já está disponível no México, Canadá e China. A empresa está entrando em outros mercados asiáticos. Serão 12 países neste ano e a meta é chegar a 25 em cinco anos, informou Philardeau. A Nestlé hoje vende leite em pó para bebês em 109 países.

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