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Uber compra rival por US$ 3,1 bilhões e domina Oriente Médio

O acordo, que há muito era esperado, encerra mais de nove meses de negociações e dá a Uber a vitória após uma série de desinvestimentos no exterior   

Uber
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A Uber anunciou a compra da sua rival Careem por US$ 3,1 bilhões. Amplamente aguardado, o acordo aumenta seu domínio no Oriente Médio antes do IPO (oferta pública inicial), que deve ocorrer neste ano. 

Em um comunicado à imprensa, a companhia disse que vai pagar US$ 1,4 bilhão em dinheiro e US$ 1,7 bilhão em papéis conversíveis por 100% da empresa.

Essas notas serão convertidas em ações da Uber e vão valer US$ 55 cada, o que significa um aumento de quase 13% em relação ao preço das ações da empresa em sua última rodada de financiamento no ano passado. 

A Careem captou US$ 800 milhões em rodadas de investimentos. Em outubro, tinha um valuation de US$ 2 bilhões, segundo o Business Insider. Seus patrocinadores incluem a montadora alemã Daimler a empresa chinesa Didi Chuxing (dona da 99), a companhia japonesa de internet Rakuten e a holding saudita de investimentos Kingdom.

O acordo, que há muito era esperado, encerra mais de nove meses de negociações e dá à Uber a vitória na região após uma série de desinvestimentos no exterior.

Presença forte no Oriente Médio 

A Careem, fundada em 2012, tem uma presença maior do que a Uber no Oriente Médio, Norte da África, Paquistão e Turquia, operando em 98 cidades, em comparação com as cerca de 23 localidades da Uber.

"Uma fusão da Uber-Careem ressalta o enorme potencial do mercado de automóveis no Oriente Médio", disse Sam Blatteis, CEO da MENA Catalysts, uma empresa de consultoria da região. 

Detalhes do acordo 

A aquisição torna a Careem uma subsidiária integral da Uber, mantendo seu  seu nome, logomarca e gestão de seus próprios fundadores. No entanto, a diretoria da companhia será revisada: três assentos irão para representantes da Uber e dois ficarão com representantes da empresa.

Terão assentos no conselho Mudassir Sheikha, CEO da Careem, e Magnus Olsson, co-fundador da empresa. A Uber ainda não informou quais executivos estarão no conselho como seus representantes.  

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Momento importante para a Uber

O acordo é particularmente importante para a Uber, dado que sua capacidade de ser um ator global competitivo foi questionada com a venda de suas operações na China, Rússia e Sudeste Asiático para rivais locais depois de sofrer perdas significativas.

A CEO da empresa americana, Dara Khosrowshahi, afirmou no comunicado que o acordo com a Careem simboliza "um momento importante". 

Embora a companhia opere em mais de 70 países, enfrenta fortes rivais na América Latina e na Índia, além de regulamentos rígidos na Europa.

A Careem, ao longo do ano passado, expandiu seus negócios rapidamente, incluindo a adição de um serviço de entrega, e quase dobrou seu valuation, pressionando a Uber a aumentar seu preço de oferta.

Na época, a empresa com sede em Dubai estava interessada em atrair investidores para outra rodada de financiamento, mas a Uber agiu primeiro.

O acordo deve ser concluído no primeiro trimestre de 2020, depois do IPO da Uber nos EUA. O pontapé inicial para a abertura de capital deve acontecer no próximo mês e pode fazer a empresa chegar a um valuation de pelo menos US$ 100 bilhões.

Ainda assim, a ideia da Uber é finalizar os termos do negócio antes iniciar seu "road show", quando se reunirá com diversos investidores para apresentar seu case antes de listar as ações na Bolsa de Valores de Nova York. 

Vale destacar que o acordo com a Careem está sujeito a aprovação regulatória, inclusive por autoridades antitruste nos países onde ela opera, o que poderia impedir que o negócio avance ou obrigar as empresas a modificar os termos.

A Uber disse que sua receita líquida no ano passado foi de US$ 11,3 bilhões, enquanto receita bruta advinda de caronas foi de US$ 50 bilhões. Mas a empresa apresentou um prejuízo de US$ 3,3 bilhões se excluídos os ganhos com a venda de suas unidades de negócios na Rússia e no Sudeste Asiático.

 

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