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José Galló, presidente da Renner, deve custar milhões à empresa em novo cargo

Sua nomeação para a presidência do conselho de administração da rede de varejo pode aumentar em 170%, ou R$ 7 milhões, os gastos com a remuneração de conselheiros

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(Divulgação Renner)

SÃO PAULO - A nomeação de José Galló à presidência do conselho de administração da rede de varejo Lojas Renner (LREN3) deve custar aos cofres da empresa um valor da ordem de R$ 7 milhões. Pelo menos esta é a proposta feita pelo próprio conselho aos acionistas, e que será analisada na próxima assembleia geral ordinária e extraordinária, marcada para 18 de abril.

Pelos termos propostos, disponíveis no site de relações com investidores da empresa, a remuneração total do conselho de administração da Renner passaria de R$ 4,1 milhões, em 2018, para R$ 15,4 milhões, em 2019. O aumento, segundo informou a empresa ao InfoMoney, se deve principalmente à ida de Galló para o conselho.

Dos R$ 15,4 milhões, contudo, R$ 4,4 milhões se referem a uma remuneração baseada em ações e opções, paga ao executivo como membro da diretoria. Como presidente do conselho, ele não terá mais direto a esse benefício.

Dessa forma, do total a ser pago aos conselheiros, a elevação dos custos viria essencialmente do pró-labore, com aumento de mais de 430%, de R$ 1,5 milhão para cerca de R$ 8 milhões. Ainda na remuneração fixa anual, o valor pago aos oito membros do conselho para participação em comitê vai passar de R$ 1,6 milhão para R$ 1,95 milhão. Já na parte variável, composta exclusivamente pelo comparecimento ou não nas reuniões, o valor poderá subir de R$ 946 mil para R$ 1,1 milhão.

Excluídos os benefícios carregados por Galló como presidente da empresa, os R$ 11 milhões a serem pagos aos oito membros do conselho de remuneração da Lojas Renner resultariam em uma média de R$ 1,38 milhão ao ano por executivo. Pesquisa do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) de 2018 revelou que a média da remuneração média anual de um conselheiro por empresas do Novo Mercado (nível de governança da Renner) correspondeu a R$ 372,4 mil, em 2016.

 

O veterano do varejo

Com assento nos conselhos do Itaú (como membro independente) e da Localiza, Galló já é membro do conselho de administração da Renner, com a primeira eleição em 1998, mas não era remunerado pelo cargo, segundo a empresa.

O veterano da varejista atua como diretor-presidente da empresa há 20 anos, cargo que passará para Fabio Faccio, atual diretor de produtos, na assembleia de abril. Faccio tem experiência de 19 anos na Renner.

A mudança de Galló da diretoria-executiva (cujo salário não é público) para a presidência do conselho resultará no aumento da remuneração. O novo valor ainda compreende um reajuste dos honorários do conselho como um todo pelo INPC de 2018 e “adequação ao mercado”, conforme informou a companhia, na proposta para a assembleia.

“Deixo a Diretoria executiva da maior varejista de moda do Brasil, com mais de 550 lojas (incluindo Renner, Camicado, Youcom e Ashua) para me dedicar ao conselho, com um papel de orientação estratégica, que suportará o novo ciclo que estamos vivenciando. Temos pela frente muitos projetos e iniciativas voltados para a visão única de clientes, o uso de dados para a gestão do ciclo de vida de produtos e também transformação omni, integrando os canais de vendas online e offline, além da expansão da rede de lojas no Brasil e exterior”, escreveu Galló, na proposta.

Desempenho da varejista

A Lojas Renner reportou lucro líquido de R$ 440 milhões no quarto trimestre de 2018, expansão de 32,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2018, o lucro acumulado da Renner chegou a R$ 1,020 bilhão, crescimento de 39,2% ante 2017.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da varejista entre outubro e dezembro de 2018 chegou a R$ 742,7 milhões, aumento de 23,1% na comparação com os mesmos meses do ano anterior. No ano, o Ebitda ajustado somou R$ 1,773 bilhão, crescimento de 20,2%.

Embora estejam no zero a zero neste ano, as ações da Renner acumulam alta de 22% em 12 meses, negociadas na casa dos R$ 42.

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