Em negocios / grandes-empresas

Em construção há 35 anos, Angra 3 poderia abastecer 5 milhões de casas

Usina está no centro da acusação que levou à prisão do ex-presidente Michel Temer  

usina Angra 3
(divulgação)

SÃO PAULO – A usina nuclear Angra 3, cujas obras estão paralisadas desde 2015, voltou aos holofotes  com a prisão do ex-presidente Michel Temer, desdobramento da operação Lava Jato. As obras estão no centro da denúncia contra o ex-presidente e ainda têm dívidas bilionárias com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). 

O início da construção em Angra dos Reis se deu em 1984, 35 anos atrás. O projeto era a criação de uma usina responsável por boa parte do fornecimento de energia do estado do Rio de Janeiro. Atualmente, a Eletrobras estima que Angra 3 pode gerar o equivalente a 50% do consumo local, ou 5 milhões de casas, quando finalizada.

Dois anos depois de seu início, as obras viram a sua primeira paralisação, resultado de uma crise econômica no país que afetou o setor de infraestrutura. Só em 2010 as obras foram retomadas. Em fevereiro de 2011, a Eletronuclear assinou um contrato de R$ 6,1 bilhões com o BNDES para financiamento de bens e serviços para a obra.

A estatal ainda precisa pagar R$ 3 bilhões ao banco. Segundo a Eletronuclear, o BNDES não aceita renegociar as condições de pagamento desse montante. A empresa pretende levantar esse dinheiro através do aumento da tarifa da energia produzida pela própria usina em construção e a inclusão do empreendimento no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Em 2015 houve a nova paralisação, dessa vez por falta de dinheiro. Pudera, o valor previsto para a obra, que em 2010 era de R$ 10 bilhões, saltou para R$ 26 bilhões, de acordo com relatório da Eletrobras datado de 2017. Já foram gastos R$ 8,4 bilhões para concluir 61,5% da construção.

Corrupção nas obras

No mesmo ano da última paralisação de suas obras, a Operação Radioatividade descobriu crimes envolvendo a construção de Angra 3. Entre eles, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2016, o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, foi condenado a 43 anos de prisão. Ele teria cobrado propina das empreiteiras Engevix e Andrade Gutierrez.

A prisão de Temer está atrelada à delação do dono da Engevix, José Antunes Sobrinho. O emedebista teria recebido R$ 1,09 milhão em propina em 2014, de acordo com o depoimento.

Posteriormente, em 2017, o TCU proibiu de fechar contratos com a União as empresas Queiroz Galvão, Empresa Brasileira de Engenharia Techint Engenharia e Construção e UTC Engenharia acusadas de fraude na licitação da usina nuclear. O dano, corrigido pela inflação e multa, foi estimado na época em R$ 1,5 bilhão.

Retomada

A retomada das obras da usina é promessa do governo Bolsonaro. O funcionamento de Angra 3 aumentaria a participação da energia nuclear no fornecimento nacional de 1,1% para 1,2% do total.

"Para o setor nuclear, a conclusão de Angra 3 é importante, pois traz escala à toda a cadeia produtiva do setor, desde a produção de combustível à geração de energia. Isso se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que o Brasil vai precisar investir em energia para o futuro, em função do aumento da demanda e do esgotamento do potencial hidrelétrico", disse o Ministério de Minas e Energia em janeiro.

 

Contato