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Ação da Bayer despenca com revés envolvendo agrotóxico mais usado no Brasil

Um júri nos EUA definiu, pela segunda vez, que o herbicida Roundup é cancerígeno

Bayer
(Shutterstock)

SÃO PAULO - As ações da Bayer despencaram cerca de 10% nesta quarta-feira (20), refletindo um revés na justiça sobre acusações de que o herbicida Roundup causa câncer. Recentemente, em fevereiro, a Anvisa liberou o uso do composto glifosato, parte do produto, no mercado brasileiro. 

"O produto não se enquadra nos critérios proibitivos previstos na legislação. Isso porque o produto não foi classificado como mutagênico, carcinogênico, tóxico para a reprodução, teratogênico (que causa malformação fetal), entre outros", disse nota da Anvisa na época da liberação.

A empresa agora será julgada em um segundo processo e poderá ser responsabilizada no caso de Edwin Hardeman, que usou o herbicida em sua propriedade durante décadas. Há acusações de que a companhia manipulou a opinião pública para acabar com questionamentos sobre o impacto do produto na saúde e para promover o herbicida campeão de vendas.

Trata-se do segundo processo de cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup nos Estados Unidos. No ano passado, a empresa teve de pagar US$ 289 milhões a outro usuário do produto que estava com câncer. 

O veredito “provavelmente resultará em uma enxurrada de processos movidos rapidamente” contra a Bayer e “pode acelerar o acordo final” para encerrar as queixas contra o Roundup, afirmou Anna Pavlik, conselheira sênior para situações especiais da United First Partners, à Bloomberg. Pavlik alertou que a Bayer e os advogados dos acusadores devem manter noções muito distantes do valor que resolveria os processos.

Embora as evidências de que o Roundup provoque câncer estejam “bastante abertas a interpretações”, escreveu o juiz do caso, “há fortes evidências a partir das quais um jurado poderia concluir que a Monsanto, fabricante do produto, não se importa se um produto de fato esteja causando câncer nas pessoas, focando em vez disso em manipular a opinião pública e enfraquecer quem expõe preocupações genuínas e legítimas sobre o assunto.”

Com Bloomberg.

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