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Como a aquisição da Fox pela Disney revoluciona todo o mercado de mídia

Com setor enfrentando constantes mudanças e da chegada de concorrentes de streaming com grande potencial, a aquisição da Fox foi um acerto, segundo analista    

Disney e Fox
(Reprodução)

SÃO PAULO - A Disney concluiu a compra da Fox por US$ 71,3 bilhões após autorização dos órgãos reguladores dos países envolvidos na negociação.  

A partir desta quarta-feira (20), passa a ser dona oficialmente do estúdios de cinema 21st Century Fox, incluindo a 20th Century Fox, a Fox Searchlight Pictures, a Fox 2000 Pictures, a Fox Family e a Fox Animation, a Twentieth Century Fox Television, Fox21, FX Productions, National Geographic, Fox Networks Group International, além da Star India e dos ativos da Fox em Hulu, Tata Sky e Endemol Shine Group.

A aquisição vai mexer com o setor de mídia como um todo. “Os ativos adquiridos pela Disney (da Fox) fortalecem, ainda mais, uma de suas principais vantagens competitivas, que é a expansão da sua ‘biblioteca de conteúdo’”, afirma André Kim, analista da Geo Capital.

O setor vem enfrentando um novo momento de constante mudança e da chegada de concorrentes de streaming com grande potencial. Por isso, a aquisição da Fox é interessante do ponto de vista de tese de investimento, segundo o analista.

“Para os investidores, enxergamos que o modelo de negócio tornou-se mais completo, do ponto de vista do consumidor, pois os ativos da Fox têm uma penetração maior no público mais adulto. Isso permite que a empresa englobe um número ainda maior de clientes em seu ecossistema, oferecendo conteúdo atrativo para todas as idades”, diz Kim.

Pela perspectiva da concorrência, segundo o analista, a aquisição diminui o poder de barganha de outros concorrentes e/ou fornecedores, “dado que a Disney passará a deter um pouco mais de um terço de toda a renda obtida em filmes lançados no cinema”. “Para ter uma medida de comparação, a empresa detinha por volta de 10% há 10 anos, e a concentração só aumentou desde então”, disse.

Boa notícia para o consumidor

Para quem consome conteúdo, o cenário também melhorou. “Aumentam as expectativas sobre lançamentos de novos filmes/conteúdos que podem englobar franquias atuais com os novos ativos, e isso pode favorecer a lucratividade da empresa no longo prazo”, explica Kim.  

Com a aquisição, franquias como X-Men, Deadpool, The Simpsons, Planeta dos Macacos, Arquivo X e outras, passam a ser parte da empresa e um novo caminho surge para que universos distintos com grande apelo para o público, como X-Men e os Vingadores, da Marvel, se reúnam em filmes futuros, por exemplo.

Vale lembrar que, embora a Disney seja dona da Marvel Studios, alguns personagens, como os X-Men, já haviam sido licenciados para a Fox.

Com essas novas opções dentro do seu modelo de negócio, a Disney poderá monetizar esses personagens em seu ecossistema. “Isso inclui não apenas no lançamento de novos filmes mas também, na produção de séries de TV, atrações nos parques temáticos, receita de transmissão, produtos de bens de consumo, como camisetas e bonés”, diz Kim. 

A Disney domina os cinemas: três dos cinco filmes de maior sucesso mundial de bilheteira de 2018 pertencem ao grupo, segundo o site especializado Box Office Mojo. 

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O primeiro colocado do top 5 foi "Vingadores: Guerra Infinita" com US$ 2,048 bilhões, em segundo "Pantera Negra" com US$ 1,34 bilhão, e em quarto "Os Incríveis 2" com US$ 1,24 bilhão. 

Ainda, lançamentos como "Dumbo", "Aladdin" e "Rei Leão chegam ao cinema neste ano. Para completar, o filme de maior sucesso de bilheteria da história, Avatar com US$ 2,78 bilhões, é da Fox. 

Streaming

A conclusão da aquisição libera caminho para o lançamento do serviço de streaming “Disney Plus”, novo concorrente da Netflix e da Amazon, que será lançado no final deste ano, segundo Business Insider.

Em fevereiro, o CEO da Disney, Bob Iger, disse que esses serviços como o Disney Plus são a "prioridade número 1" da empresa.  

Embora a aquisição seja considerada uma boa notícia para a Disney, as ações da companhia caíam 1,7% no pregão desta quarta-feira às 14h30 horário de Brasília. E no acumulado do ano os papéis caem 1,41%. 

As ações da Fox Corp. - ou seja, as partes da 21st Century Fox que não fazem parte do acordo, incluindo Fox News, Fox Sports e Fox Broadcasting - começaram a ser negociadas na Nasdaq sob o ticker "FOXA" nesta terça-feira (20) e apresentavam queda de 4,5% no mesmo horário.

 

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