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De 9 mil lojas para apenas 1: a ascensão e a queda do império Blockbuster

A Blockbuster se tornou marca de uma geração, teve a chance de comprar a Netflix a preço de banana e chegou a um novo momento emblemático neste mês: agora é apenas uma loja

Blockbuster
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O termo “blockbuster” surgiu na Segunda Guerra Mundial para nomear as bombas de alta potência capazes de destruir um quarteirão (em tradução literal, significaria “destruidor de blocos”). Com o passar dos anos, a palavra começou a ser utilizada para falar de um filme, livro ou show que fez grande sucesso.

No entanto, se você nasceu antes dos anos 2000, provavelmente seu primeiro pensamento ao ouvir essa palavra é a rede de locadoras que teve mais de 9 mil lojas espalhadas pelo mundo - mas hoje é vista como um claro exemplo de ícones que ficaram presos no passado. 

A Blockbuster foi fundada há 33 anos, em 1985, pelo jovem David P. Cook, e logo foi comprada pelo investidor Wayne Huizenga por US$ 18 milhões, de acordo com a CNN. Hoje, depois do fechamento da última franquia australiana em 7 de março de 2019, há apenas uma loja restante, localizada no interior de Oregon, nos Estados Unidos.

Dias de glória

Há 15 anos, seria estranho imaginar que a Blockbuster correria o risco de desaparecer. Dois anos após sua fundação, a rede possuía 19 lojas em território norte-americano. Em mais dois, atingiu a marca de 200. A locadora era conhecida pelas grandes promoções, diversidade de filmes no acervo e ótimo atendimento.

Em 1994, a rede, que possuía 4,5 mil pontos de venda, foi comprada pela Viacom - também dona da Paramount e da MTV - pelo preço de US$ 8,4 bilhões.

A Viacom foi responsável por iniciar a expansão internacional da marca. No ano seguinte, a locadora chegou ao Brasil, com uma loja localizada no Itaim Bibi.

Mais um ano se passou e a Netflix foi fundada, em 1996, como um serviço de aluguel online de filmes físicos. O usuário entrava no site, selecionava o que queria assistir e recebia em casa, pelo correio. Ironicamente, em 2000, a empresa se ofereceu para ser comprada pela Blockbuster por US$ 50 milhões. À época, a gigante não fazia a menor ideia de que a rejeitada viria a ser seu algoz. 

A Blockbuster atingiu pico de crescimento em 2004, quando chegou a 9.094 lojas espalhadas em 26 países e mantidas por 84 mil funcionários. Apenas seis anos depois (2010), pediria concordata.

Dias de luta

Após isso, a rede foi comprada em 2011 pela empresa de satélites Dish Network, pelo preço de US$ 320,6 milhões.

O surgimento de plataformas de aluguel online de filmes e o aumento da TV a cabo foram considerados as principais causas da queda do império Blockbuster. Estas novas empresas ofereciam o mesmo serviço da rede, mas de forma mais cômoda, sem que o cliente tivesse que sair de casa.

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No Brasil, a Lojas Americanas comprou todas as 127 lojas por R$ 186,2 milhões em 2007. Na época, a rede ainda possuía 330 mil clientes ativos no país e empregava 1.200 funcionários.

Apesar de encerrar as operações das lojas próprias em 2013, alguns franqueados mantiveram suas unidades. Estas foram fechadas paulatinamente ao longo dos anos.

Sobrevivente

Localizada em Bend, cidade de 94 mil habitantes no interior de Oregon, a última loja sobrevivente da rede foi inaugurada em 2000, possui 4 mil contas ativas e nenhum plano de fechar.

Em entrevista à Time, Sandi Harding, gerente geral da loja, disse que ser a última no planeta não os assusta: pelo contrário, será bom para os negócios e até atrairá mais visitantes. “Nós ganhamos de cinco a dez novos clientes por dia e todo mundo acha que eu estou exagerando esse número, mas eu não estou, mesmo."

Para a gerente, a loja é como um atrativo turístico da cidade, por isso, é mantida pelo esforço da população local. Ela diz ainda que o serviço de internet na região não é dos melhores, o que dificulta o uso de streaming.

O mundo dá voltas

No mercado de entretenimento, atualmente quem ganha a guerra é a Netflix. Ano passado, a companhia ultrapassou a Disney e se tornou a empresa de mídia com maior valor de mercado do mundo: cerca de US$ 152,3 bilhões. 

A indústria cinematográfica reflete muito sobre qual será o futuro da área. Neste ano, um filme original Netflix ganhou um Oscar pela primeira vez. Para alguns, isso ameaça o destino das salas de cinema.

A crítica cultural Emily Yoshida aproveitou a ocasião para escrever em seu twitter que adora a Netflix tanto quanto gostava de seu videocassete em 1995 e de seu DVD em 2001. No entanto, ela não se recorda da marca do videocassete, e sim do nome do dono da locadora do bairro.

“A Blockbuster pode ter sido um lugar corporativo e estéril, mas ainda oferecia essa oportunidade de simplesmente matar algum tempo passeando pelos corredores, admirando as artes das caixas e pensando em quantas estrelinhas um filme deveria ter para você levá-lo para casa naquela noite”, conclui Yoshida.

 

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