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Com queda do Boeing 737 Max 8, aéreas reconsideram US$ 57 bi em encomendas

Crescente preocupação com a segurança está levando empresas aéreas a reconsiderarem planos de compras

Boeing
(Alex JW Robinson / Shutterstock.com)

(Bloomberg) -- A queda de um Boeing 737 Max na Etiópia dá cada vez mais indícios de que vai afetar as encomendas futuras da fabricante de aviões, porque a crescente preocupação com a segurança está levando empresas aéreas a reconsiderarem planos de compras que totalizam cerca de US$ 57 bilhões.

A VietJet Aviation, que no mês passado tinha dobrado para 200 unidades sua encomenda da aeronave no valor de quase US$ 25 bilhões, anunciou que tomará uma decisão sobre seus planos futuros depois que a causa da tragédia for encontrada. A Kenya Airways está reavaliando propostas de adquisição do Max e poderia optar pelo concorrente A320, da Airbus.

Por sua vez, a Lion Air, da Indonésia, tomou medidas mais concretas para cancelar uma encomenda de US$ 22 bilhões dos jatos 737 em prol do modelo da Airbus, segundo uma pessoa a par do plano. Além disso, um pedido de US$ 5,9 bilhões da Flyadeal está por um fio. A Boeing, cujas ações perderam 12 por cento do valor nesta semana, enfrenta um crescente risco financeiro após dois desastres envolvendo sua mais nova aeronave de fuselagem estreita nos últimos cinco meses.

Acidente anterior

Um avião Max da Lion Air caiu em 29 de outubro, o que azedou a relação com a Boeing porque a fabricante apontou problemas de manutenção e erro humano como causas subjacentes, embora os pilotos do avião tenham tido dificuldades com um sistema computadorizado que assumia o controle por causa de um defeito no sensor.

A queda de um avião 737 da Ethiopian Airlines no domingo, em que morreram 157 pessoas, teve semelhanças com a tragédia asiática, o que gerou o receio de que um recurso pensado para tornar o novo Max mais seguro do que os aviões anteriores tenha, na verdade, deixado-o mais difícil de pilotar.

O 737, cuja primeira versão começou a operar no fim da década de 1960, é o modelo mais vendido do setor da aviação e o principal gerador de receitas da Boeing. A versão atualizada do Max recebeu mais de 5.000 encomendas no valor de mais de US$ 600 bilhões.

A Boeing enfrenta uma crise porque empresas aéreas de todo o mundo estão suspendendo voos com o avião e órgãos reguladores de diversos países, da Austrália ao México, estão negando à aeronave o acesso a seu espaço aéreo. Um acontecimento notável é que a Agência Europeia para a Segurança da Aviação tenha divergido da Administração Federal da Aviação dos EUA e proibido o Max, e o órgão regulador americano ficou isolado como o único a insistir que é seguro voar com a aeronave.

Kenya Airways

A Kenya Airways considerará optar pela Airbus ou adquirir mais unidades da versão antiga 737-800 do avião da Boeing, que não utiliza o sistema colocado sob suspeita, disse o presidente do conselho, Michael Joseph, por e-mail, sem descartar a opção de continuar com o Max. A companhia recuperou o plano de expandir sua malha no ano passado com a proposta de comprar até 10 aviões Max no valor de cerca de US$ 1,2 bilhão.

Cerca de 32 dos mortos no acidente na Etiópia, que ocorreu seis minutos depois da decolagem de Addis Abeba com destino a Nairóbi, eram cidadãos do Quênia, país com maior número de vítimas.

“Vamos acompanhar de perto os acontecimentos relacionados ao 737 Max”, disse Joseph. “Nenhuma decisão foi tomada até o momento.” A terceira maior empresa aérea da África subsaariana concluiu uma reorganização em 2017 na qual o governo ficou com uma participação de quase 50 por cento e a antiga investidora Air France-KLM reduziu sua fatia para menos de 10 por cento.

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