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Pilotos do Boeing 737 Max 8 reclamaram do avião por meses antes do acidente da Ethiopian

Ao menos cinco reclamações formais citaram dificuldades com o sistema de piloto automático  

Boeing 737 Max 8
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Ao menos cinco reclamações formais sobre o Boeing 737 Max 8 foram registradas nos meses que antecederam o acidente da Ethiopian nesta semana, revelaram diversos portais de notícias. O avião que caiu no último domingo, matando mais de 150 pessoas, foi o segundo da mesma linha a protagonizar acidentes fatais em 5 meses.

As reclamações foram enviadas de forma anônima à base de dados da Federal Aviation Administration, o órgão de aviação dos Estados Unidos. Nos documentos, destacaram-se problemas com o sistema de piloto automático do Max 8.

De acordo com o Dallas Morning News, um dos pilotos disse que o manual de voo da aeronave, o modelo mais recente da Boeing, era “inadequado e quase criminalmente insuficiente”.

Outro disse ser “inconcebível” que pilotos continuassem utilizando esses aviões sem treinamento adequado ou explicações sobre a diferença entre o sistema deles e os de versões anteriores da Boeing.

O mesmo problema

Quando o primeiro Boeing 737 Max 8 caiu, em outubro, durante voo da Lion Air, o sistema de piloto automático foi posto em questão. A caixa preta daquela aeronave mostrou que o sistema automático do voo 610 repetidamente colocava a aeronave em ‘posição de mergulho’ (com a ponta para baixo) por conta de um mau funcionamento nos sensores. Todas as 189 pessoas naquele avião morreram.

Ao CNN, o CEO da Ethiopian Airlines, Tweolde GebreMarian, disse que as semelhanças entre aquele acidente e o mais recente são “substanciais”. “Ele [o piloto] estava com dificuldades referentes ao controle de voo da aeronave, então pediu para retornar à base”, apontou o executivo.

Outra reclamação descreve que os problemas ocorriam logo após a decolagem: assim que o piloto automático era acionado, o “nariz” do avião imediatamente se voltava para o solo e o sistema de alarme começava a soar a mensagem “não afunde, não afunde”, de acordo com o jornal Politico. A situação era controlada apenas com o desligamento do piloto automático.

Boeing é questionada

Desde o acidente mais recente, a Boeing está tendo de dar explicações sobre o modelo. Imediatamente após o acidente, a China suspendeu todos os voos do Max 8. Posteriormente, outros países fizeram o mesmo – incluindo o Brasil, onde a Gol é a única aérea afetada.

A ação da empresa acumula queda de 10,73% entre o fechamento da sexta-feira (9) e esta quarta-feira (13). Na terça-feira, calculava-se uma perda de valor de mercado de US$ 40 bilhões.

Em resposta, a Boeing disse que irá atualizar o software de controle de voo de todos os aviões da linha Max nas próximas semanas. Não houve indicação sobre modificações na estrutura física.

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