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AB Inbev e Kraft Heinz ajudam a tirar Lemann do posto de mais rico do Brasil

Jorge Paulo Lemann está US$ 5 bilhões menos rico em 2019; não coincidentemente, as empresas do grupo 3G perderam US$ 30 bilhões em valor de mercado  

Kraft Heinz
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Aparentemente, a nova moda é comer hambúrguer sem catchup. Enquanto a rede de fast food Burger King apresentou resultados impressionantes no mercado brasileiro e crescimento de 2% nas vendas internacionalmente, a Kraft Heinz, fabricante do condimento mais famoso do mundo, vive a pior crise de sua história.

A derrocada da empresa que une Heinz e Kraft Foods pode ser uma das explicações para a perda do título de homem mais rico do Brasil por Jorge Paulo Lemann. O empresário suíço-brasileiro está US$ 5 bilhões menos rico na comparação com março de 2018 e perdeu o lugar no pódio para o banqueiro Joseph Safra, de acordo com dados da Forbes.

Não coincidentemente, seus sócios na empresa de private equity 3G Capital, Marcel Hermann Telles e Carlos Alberto Sicupira também perderam parte de seus patrimônios no último ano, conforme a Forbes. O fundo tem suas maiores posições em Kraft Heinz, Restaurant Brands (controladora do Burger King) e AB Inbev. Juntas, as empresas perderam US$ 92 bilhões em valor de mercado nos últimos 12 meses.

Os problemas da Kraft Heinz são creditados na conta de uma mudança nos hábitos de consumo mundiais: as pessoas supostamente querem comer coisas mais saudáveis, dizem analistas. No quarto trimestre de 2018, a empresa divulgou prejuízo de US$ 12,6 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2017, as vendas líquidas caíram nos segmentos EMEA (sigla em inglês para Europa, Oriente Médio e Ásia) e no que a companhia considera o “resto do mundo”, que exclui Estados Unidos e Canadá.

Curiosamente, o Burger King – que também não vende alimentos saudáveis – parece se esquivar dessas mudanças. No Brasil, a chegada da rede Popeye’s, também parte da Restaurant Brands International é vista como um dos grandes trunfos pela marca, mas também houve abertura de 110 novos restaurantes no total e crescimento de vendas nas mesmas lojas acima do PIB nominal.

Internacionalmente, a RBI também  trouxe resultados acima das expectativas. O Burger King cresceu 1,7% em vendas nas mesmas lojas (ante expectativa de 1,6%) e a rede de cafeterias Tim Hortons, 1,9% (ante 1,6% esperados). O único que não conseguiu atingir as expectativas do mercado foi o Popeyes, crescendo apenas 0,1%, 0,3% menos que o esperado.

Água no chope

Na indústria de bebidas, há motivos muito parecidos para preocupação. A Ambev, que divulgou resultados amargos na última quinta-feira (28), admitiu que precisa explorar um novo segmento com mais empenho para tentar reverter as dificuldades: o de cervejas premium. Esse segmento, que tem sido preferência entre consumidores, responde por apenas 10% da receita da AB Inbev atualmente.

A água no chope da fabricante de bebidas em 2018 foi justamente o Brasil. O balanço mostra queda de 2,1% no consumo de cervejas nacionalmente, além de perda de 40 pontos-base em participação no mercado, resultado de uma competição cada vez mais pesada, principalmente por parte da Heineken.

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