Em negocios / grandes-empresas

DAZN: como a "Netflix do Esporte" quer mudar a forma como você vê futebol

Nova plataforma escalou Neymar para o seu marketing e está chamando atenção com transmissões exclusivas de futebol; fora do Brasil, preços são menores que os da Netflix

DAZN
(Divulgação)

SÃO PAULO - No fim de 2018, o Brasil foi surpreendido com a chegada do DAZN (pronuncia-se "dâzôn"), plataforma que promete revolucionar o mundo do esporte com um serviço de streaming 100% dedicado a este mercado. E apesar de ainda não ter iniciado suas operações oficialmente, a companhia já tem feito diversas transmissões gratuitas nas redes sociais, o que tem atraído milhares de torcedores.

A companhia ainda não anunciou muitos detalhes sobre suas operações em terras tupiniquins, mas já está transmitindo jogos do campeonato italiano, francês e da Copa Sul-Americana. Esta última, inclusive, rendeu ao DAZN o recorde de uma live no YouTube, com quase 439 mil pessoas acompanhando a partida entre Corinthians e Racing, da Argentina.

Além disso, o marketing está pesado. O DAZN contratou o ex-treinador do Manchester United e Real Madrid, José Mourinho, para participar da primeira semana de transmissões, além de ter como Neymar e Cristiano Ronaldo como embaixadores ao redor do mundo.

O modelo do grupo é ser como uma Netflix, mas focada apenas em esportes. A ideia é que o consumidor pague uma assinatura para poder ter acesso às partidas ao vivo tanto por computador como smartphones e smart TVs, com o direito de poder rever os jogos quando quiser.

A plataforma foi lançada em agosto de 2016, na Alemanha, onde hoje transmite nove ligas de futebol europeu, além dos campeonatos de basquete, futebol americano, hockey e baseball dos Estados Unidos. Poucas semanas depois, a companhia também passou a operar no Japão e hoje já está em sete países.

O DAZN é controlada pelo Perform Group, empresa sediada no Reino Unido e focada na mídia esportiva. O grupo britânico ainda é dono do site Goal.com e Sporting News, uma das maiores revistas esportivas do mundo, além das empresas de dados esportivos RunningBall e Opta Sports.

A Perform, por sua vez, é controlada pela Access Industries do multibilionário Leonard Blavatnik, que também é dona da Warner Music. Em 2014, quando assumiu a empresa britânica, a Access também deslistou a Perform da bolsa de Londres, e hoje a companhia não divulga seus resultados financeiros.

Qual será o preço do DAZN?

No Brasil, o DAZN já avisou que deve começar suas operações mesmo em março, mas por enquanto está fazendo transmissões dos campeonatos a que tem direito em seu canal no Youtube e também no Facebook. O preço ainda não foi divulgado, mas é possível ter uma ideia baseado nos países onde ela opera.

Na Alemanha, para ter acesso aos jogos, o assinante precisa pagar 9,99 euros por mês, enquanto na Espanha, onde a oferta de campeonatos ainda é menor, o valor está em 4,99 euros. Isso indica que o valor será adaptado dependendo do país e também da quantidade de jogos que são transmitidos.

Nos Estados Unidos a operação do DAZN é diferente, focada principalmente em lutas de boxe. Por lá, a assinatura custa US$ 9,99 por mês. A empresa ainda promete em todos os países que atua, um mês grátis de serviço e a opção de cancelamento quando quiser.

Golaço ou bola fora?

Cada vez mais se fala como os serviços irão dominar o mercado. A Netflix ajudou a acabar com os aluguéis de DVD e agora o surgimento de outros serviços já colocam em risco o futuro da televisão. Mas a proposta do DAZN ainda leva a muitos questionamentos.

O custo de se adquirir os direitos de transmissão dos campeonatos é muito alto e há uma grande dúvida sobre como transformar este em um negócio que se pague. Para a Access Industries, dinheiro não parece ser um problema diante dos bilhões gastos nos últimos anos em aquisições, mas é impossível manter um negócio por muito tempo se ele não der retorno.

No Brasil, a estrutura da transmissão de jogos de futebol está mudando. Se nos últimos anos a Rede Globo dominava a TV aberta, hoje a emissora já perdeu os direitos de passar os jogos de todos os clubes no Campeonato Brasileiro, por exemplo. Na TV fechada a disputa é mais intensa, com mais canais para brigarem por dezenas de ligas ao redor do mundo.

Os valores não são públicos, mas, para se ter uma ideia, a Globo paga só pelo Campeonato Brasileiro R$ 600 milhões por ano. Dependendo da competição, uma empresa interessada poderia ter de pagar quantias na casa do bilhão. É o caso do acordo feito pelo DAZN nos EUA para transmitir boxe.

Garanta sua diversão: abra uma conta de investimentos na XP - é de graça!

Por enquanto, a plataforma ainda está crescendo, mas já está conseguindo mudar a forma como os torcedores acompanham seus esportes favoritos. Resta saber se o DAZN conseguirá atrair consumidores com um preço acessível, oferta interessante e, principalmente, que se sustente como negócio. Para se tornar a "Netflix dos esportes" e ameaçar as redes de televisão, a empresa ainda tem muito o que mostrar.

 

Contato