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Barbie em crise? Mattel tem maior queda na Bolsa em 20 anos

Fabricante de brinquedos anunciou esperar queda nas margens para 2019; fim da Toys R Us tornou movimento de baixa mais íngreme  

Barbie
(Shutterstock)

SÃO PAULO – As ações da Mattel listadas em Nasdaq viram sua pior queda dos últimos 20 anos na sexta-feira da semana passada (15). O tombo, que chegou a 23% e fechou em 18,3%, veio depois de a fabricante de brinquedos comunicar ao mercado que espera vendas mais fracas e margem de lucro menor em 2019.

O anúncio veio como um soco no estômago de um mercado que ainda digeria a apresentação de resultados referente ao quarto trimestre de 2018. Nos últimos meses do ano passado, a Mattel desempenhou melhor que o esperado graças às vendas da boneca Barbie. A ação estava em alta de 20%.

Mas a dificuldade da Mattel não é de hoje. Há cerca de um ano as vendas vêm em movimento de queda, que se tornou mais íngreme a partir da extinção da mega rede de lojas Toys R Us no primeiro trimestre do ano passado.

Dentre todas as marcas vendidas, a pior é a American Girl, uma linha de bonecas baseadas em personalidades históricas. A queda nas vendas nesta frente foi de 28% em 2018, enquanto a Barbie vendeu 14% mais que 2017.

A empresa teve nada menos que 4 CEOs em 5 anos. Desde a chegada do atual, Ynon Kraiz, vem apostando em parcerias para lançar filmes sobre suas personagens icônicas. A própria Barbie terá um longa estrelado pela atriz Margot Robbie. A ideia é gerar lucro com o licenciamento dos nomes e aumentar a exposição das marcas.

O crítico especializado Jim Silver escreveu recentemente que, sob a gestão de Kraiz, a “Mattel rapidamente modificou sua cultura saindo do status de empresa de bens empacotados para novamente se tornar uma companhia de entretenimento infantil, que cria brinquedos e outros produtos a partir de todas as suas propriedades intelectuais valiosas”.

Um outro analista, Paul Dergarabedian, da Comscore, discorda que filmes sejam uma boa estratégia para empresas de brinquedos. Segundo ele, a estreia do filme do Lego no último final de semana comprovou sua tese ao levantar US$ 35 milhões – consideravelmente menos que os esperados US$ 50 milhões.

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