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GM ameaça deixar Brasil novamente: "sem investimentos não tem como continuar"

A fabricante enviou um comunicado em janeiro informando que o futuro da empresa dependia da volta do lucro do grupo na América do Sul 

Chevrolet
(Divulgação)

SÃO PAULO - O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, afirmou que as negociações com funcionários, concessionários, fornecedores e governo para atrair novos projetos estão caminhando bem. 

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o executivo explicou que, se um acordo de redução de custos for aprovado, a fabricante deve propor um plano de investimentos de R$ 10 bilhões para fábricas locais. Ainda, ele defende uma cobrança de tributos especial (e menor) para projetos exclusivos de carros para exportação. 

A fabricante enviou um comunicado em 18 de janeiro por e-mail aos funcionários informando que o futuro da empresa dependia da volta do lucro do grupo na região - e sinalizou que existia a possibilidade da empresa sair da América do Sul, onde mantém fábricas na Argentina e no Brasil. 

Com a nova informação de que as coisas estão caminhando bem, especulou-se o motivo do anúncio grave sobre a saída não seria apenas um blefe da empresa para conseguir mais investimentos. No entanto, na entrevista, Zarlenga afirmou não tinha alternativa, se não falar o que realmente está acontecendo. 

"Se não conseguirmos viabilizar investimentos, será muito difícil continuar operando. E o problema vai além da GM", afirmou o executivo se referindo às concorrentes. No Brasil, no ano passado, as montadoras receberam juntas R$ 50 bilhões em financiamento.

"Uma indústria que cresceu 14% no ano passado precisaria desse dinheiro para se sustentar se estivesse bem? Por isso começamos a trabalhar com nossos parceiros. Se os investimentos necessários para São Caetano do Sul e São José dos Campos não forem feitos, os produtos das duas plantas acabam", afirmou. 

De acordo com Zarlenga, após o pico histórico da indústria em 2013, esperava-se uma taxa de retorno associada ao risco do investimento. "A meta global das empresas é de ter 8% sobre a renda. E faz muito tempo que não atingimos esse patamar", disse. 

Esse ganho não acontece devido a alguns fatores. 

"Com a estrutura atual, temos uma indústria com capacidade para 4 milhões de veículos, entre Argentina e Brasil. Exportamos os mesmos carros feitos para o mercado interno. A Coreia, por exemplo, tem mercado de 1 milhão de unidades e produz 5 milhões, ou seja, uma produção mais voltada às exportações. Como o País tem uma taxa de importação de 35%, precisa investir aqui para produzir para o mercado local. É uma discussão de participar ou não do mercado", afirma.

No entanto, ele explica que quando o programa é para exportar, se compete com o resto do mundo para receber o investimento. "Podemos trabalhar com programas específicos de exportação. Mas primeiro vamos trabalhar no investimento para o mercado brasileiro e o Mercosul e depois nesse projeto. A questão fundamental é a da abertura comercial. Perdemos uma enorme chance de trabalhar a competitividade para gerar exportação no Rota 2030. Agora, estudamos alternativas e no momento certo vamos apresentar um programa", disse. 

Na prática, ainda está em aberto a permanência ou não da montadora na América do Sul. O acordo de redução de custos para conseguir o investimento bilionário está encaminhado principalmente com os funcionários de São José dos Campos. 

"Houve amadurecimento dos empregados, do sindicato e de nossa equipe. Com os outros sindicatos (de São Caetano e Gravataí) vamos respeitar os acordos que vão até 2019 e discutir a pauta para 2020", diz Zarlenga.

Os concessionários aprovaram o acordo e com os fornecedores a montadora está trabalhando para a redução de custos e depois vai focar na eficiência. 

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