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Facebook atua como "gangue digital", dizem parlamentares britânicos

Relatório divulgado pelo Comitê Digital de Cultura, Mídia e Esporte do Parlamento Britânico acusa a rede social de estar agindo como "gangster digital"

Mark Zuckerberg

SÃO PAULO - Após 18 meses investigando desinformação e fake news, legisladores britânicos acusaram o Facebook de estar agindo como um “gangster digital”. Para eles, a empresa desrespeita as leis de concorrência e privacidade e abusa de seu poder dominante nas redes sociais.

Os comentários foram publicados em um relatório divulgado pelo Comitê Digital de Cultura, Mídia e Esporte do Parlamento Britânico.

Os políticos membros do comitê, liderados pelo parlamentar conservador Damian Collins, afirmam no relatório que a democracia está “em risco” e que as eleições britânicas podem ser influenciadas por países estrangeiros, através de anúncios nas redes sociais.

Para Collins, cidadãos desinformados e anúncios obscuros de fontes não identificáveis ameaçam a democracia. “Grande parte disso é dirigido por agências que trabalham em países estrangeiros, incluindo a Rússia”, defende o parlamentar.

“As grandes empresas de tecnologia estão falhando no compromisso que devem aos seus usuários: de agir contra conteúdos prejudiciais e de respeitar seus direitos de privacidade de dados.”

Segundo o comitê, Mark Zuckerberg mostrou “desprezo” pelo Parlamento do Reino Unido e por outros representantes internacionais após se recusar três vezes a depor sobre a disseminação de notícias falsas. Eles também defendem que o Facebook seja sujeito a nova regulamentação.

O relatório publicado nesta segunda-feira (18), ouviu 73 testemunhas e recebeu 170 envios escritos. Os parlamentares examinaram o papel do Facebook no escândalo Cambridge Analytica e suas práticas gerais de privacidade.

O documento também permeia possíveis interferências russas no referendo de Brexit, em 2016.

Foram solicitadas algumas mudanças substanciais na maneira como o Reino Unido regulamenta a tecnologia e suas eleições, entre elas está a criação de regras mais rígidas que obriguem as empresas de tecnologia a remover o conteúdo ilegal de seus sites; um código de ética que defina o que é conteúdo nocivo; um regulador independente para supervisionar a aplicação deste código e novas leis de publicidade política online.

Nos próximos dias, o Secretário de Cultura do Reino Unido, Jeremy Wright, irá se reunir com os chefes das principais empresas de tecnologia do mundo, incluindo Zuckerberg, para falar sobre conteúdo prejudicial online. O encontro será nos Estados Unidos.

O Facebook nega ter violado as leis de concorrência e de privacidade e disse que não encontrou evidências de interferência estrangeira no referendo do Brexit.

Karim Palant, gerente de políticas públicas do Facebook, disse em comunicado que a empresa compartilha as preocupações do comitê e está tomando medidas para melhorar seus processos.

“Estamos abertos a regulamentações significativas e apoiamos a recomendação do comitê para a reforma da lei eleitoral. Mas não vamos esperá-la. Já fizemos mudanças substanciais para que todos os anúncios políticos no Facebook tenham que ser autorizados e declarem quem está pagando por eles. Nenhum outro canal para propaganda política é tão transparente e oferece as ferramentas que oferecemos.”

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