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Nestlé corta carne para ser gigante de alimentos mais saudável

A empresa planeja apostar em opções à base de plantas para substituir a carne e estuda vender a Herta, um negócio que soma 680 milhões de francos em receita

Nestlé
(Shutterstock)

(Bloomberg) -- A Nestlé colocou sua debilitada divisão de carnes processadas Herta à venda no momento em que o CEO Mark Schneider tenta estimular um crescimento mais rápido das vendas transformando a maior empresa de alimentos do mundo por meio de aquisições e desinvestimentos.

A empresa suíça afirmou que deverá ceder o controle de sua unidade de dermatologia até meados deste ano. Após 14 bilhões de francos (US$ 14 bilhões) em transações em 2018, não há sinais de que Schneider deixará de fazer ajustes na tentativa de construir uma Nestlé mais forte.

A empresa de alimentos avança com “melhorias em todas as frentes”, escreveu Jean-Philippe Bertschy, analista do Bank Vontobel.

Em 2018, as receitas aceleraram pela primeira vez em sete anos. A empresa de alimentos vem engolindo marcas menores e de crescimento mais rápido, como a Blue Bottle Coffee e a Sweet Earth, em um momento em que consumidores preocupados com a saúde estão optando por marcas de nicho e abandonando marcas tradicionais. A Nestlé, pressionada pelo acionista ativista Dan Loeb a ampliar os retornos, também projetou 700 milhões de francos em custos de reestruturação neste ano em meio à reformulação.

A empresa planeja apostar ainda mais em opções à base de plantas que sejam alternativas para a carne e estuda vender a Herta, um negócio que soma 680 milhões de francos em receita. O campo está se expandindo rapidamente, agora que a Danone vem adicionando mais leites à base de amêndoas e a Unilever comprou a The Vegetarian Butcher, uma fabricante holandesa de substitutos de carne. A Nestlé vem desenvolvendo o Incredible Burger, que é feito de soja e proteína de trigo.

“Com essas mudanças no portfólio, o panorama estratégico do grupo se torna muito mais claro do que há um ou dois anos, com nosso foco em alimentos e bebidas e em saúde nutricional”, disse Schneider a jornalistas na sede da Nestlé, em Vevey.

Um obstáculo é a deflação na Europa, no Japão e na Austrália, que contribuiu para o aumento anual de preços mais fraco em mais de uma década. A Nestlé precisará aumentar os preços sem afastar os clientes, já que Schneider pretende voltar a um crescimento próximo de 5 por cento nas vendas no ano que vem. O crescimento foi de 3 por cento em 2018.

Recompra de ações

A Nestlé também anunciou que está acelerando a recompra para concluir o programa de 20 bilhões de francos seis meses antes. Ainda assim, Schneider disse aos jornalistas que a empresa não descarta novas fusões e aquisições.

“Aquisições poderiam ser facilmente financiadas”, disse. “Temos uma geração de caixa forte e um dos balanços mais robustos do setor.”

O CEO disse que os ajustes no portfólio não terminaram. Os investidores vêm pedindo a venda do negócio americano de alimentos congelados da Nestlé, cujas vendas estagnaram em 2018.

“O comportamento do consumidor no campo de alimentos e bebidas é volúvel e queremos apostar em áreas que estejam crescendo rapidamente”, disse.

Após as críticas de Loeb de que o conselho não tem expertise em produtos de consumo, a Nestlé propôs as contratações de Dick Boer, ex-CEO da rede de supermercados holandesa Ahold, e Dinesh Paliwal, CEO da Harman, fabricante de som automotivo que foi vendida à Samsung, como diretores.

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