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Vale do Silício brasileiro, Florianópolis tem 3% da população e 20% das startups

Analistas do Bradesco BBI estão otimistas com o potencial das empresas catarinenses e esperam IPOs em breve 

Florianópolis
(Wikimedia Commons)

SÃO PAULO - Nos últimos anos, Florianópolis, em Santa Catarina, vem se destacando no mundo dos negócios e recebe o título de Vale do Silício brasileira. O estado representa 3% da população brasileira, mas possui 20% das startups do país - sendo que São Paulo tem 28%.

Um relatório do Bradesco BBI divulgado nesta quinta-feira (14) é otimista e aponta que a cidade tem um papel crucial para tecnologia no Brasil. “Acreditamos que estamos chegando mais perto de ter novas empresas de tecnologia brasileiras listadas em Bolsa, e Florianópolis faz parte desse desenvolvimento”, diz Fred Mendes, analista responsável pelo relatório.

De fato, oportunidades de carreira, empregos e qualidade de vida fazem a cidade se destacar principalmente quando o assunto é inovação. Universidades, fundos de investimentos, escritórios de contabilidade e advocacia proporcionam apoio e um ambiente focado em inovação - é assim no Vale do Silício, na Califórnia, e também em Florianópolis.  

A região que abriga as empresas de tecnologia é acessível pela SC-401 Norte, a rodovia que recebe turistas do Brasil inteiro ao ligar o centro da cidade e algumas praias bem conhecidas como Canasvieiras e Jurerê. Nessa rodovia estão muitas empresas de tecnologia que aproveitam do ecossistema favorável em Florianópolis para crescer mais e mais.

A equipe de analistas do Bradesco BBI visitou algumas dessas startups que estão localizadas na rodovia citada, que estão em evidência na região. 

Confira as startups que se destacaram, segundo os analistas:

Neoway faz análise de dados usando inteligência artificial e auxilia as vendas e marketing das empresas. “A Neoway pode ajudar as empresas a segmentar sua base e identificar novos clientes em potencial com base no perfil gerado pelo consumidor atual. Um caso de sucesso dentro da indústria de tecnologia é a Microsoft, que usou a plataforma da Neoway para identificar e lidar com a pirataria”, afirmou Mendes.

Já a Resultados Digitais ajuda os clientes a aumentar a eficiência de suas empresas através do marketing da sua plataforma. A empresa tem atualmente mais de 13 mil clientes, incluindo mil estrangeiros.

“Seus principais mercados fora do Brasil são o México e a Colômbia. Os resultados devem crescer 60% a 70% nos próximos anos, uma vez que vê um potencial mercado de mais 1,6 milhões de clientes. A empresa tem 700 funcionários, sendo a maioria programadores”, diz o documento.

Essas duas startups são oportunidades e devem ser acompanhadas de perto. Isso porque o analista afirma que a Resultados Digitais e a Neoway têm grande potencial para se tornarem as próximas unicórnios (empresas que superam valor de mercado de US$ 1 bilhão) do país.

A Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) é uma das principais representantes do empreendedorismo inovador em Santa Catarina. Fundada em 1986, a Acate administra vários projetos para impulsionar o setor de tecnologia, incluindo o MidiTec, que foi eleita a quinta melhor incubadora de empresas no mundo e a número um no Brasil.

“A associação opera em 12 diferentes verticais e os segmentos que têm mostrado o maior crescimento nos últimos anos são cuidados de saúde e educação”, diz o relatório. A receita líquida das empresas aceleradas Acate chegou a US$ 16 bilhões em 2017. A empresa é considerada fundamental para o desenvolvimento da inovação na região.

A Darwin, por sua vez, opera dentro da Acate e está focada em acelerar o crescimento de startups e ajudá-las a avançar para novas rodadas de investimento. Criada em 2015, tem cinco parceiros principais: Neoway, B3, RTM, TransUnion e Safra.  

A Gntech está focada na farmacogenética e no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes com base na genética dos clientes, principalmente a depressão.

Fundada em 2012, desenvolveu em 2015 uma tecnologia própria e no ano seguinte recebeu a primeira injeção de capital, de R$ 2,3 milhões. Até o final de 2017, foi incubada pelo Albert Einstein e em 2018 migrou seu laboratório de genética para as instalações do hospital.  

“Hoje, o Albert Einstein possui 8% da companhia. A empresa acredita que a farmacogenética pode ajudar a tornar os tratamentos mais eficientes, reduzindo o desperdício e os custos. A Gntech é parceria da Hermes Pardini, empresa de medicina diagnóstica e preventiva”, segundo os analistas do Bradesco BBI.

Outro destaque do relatório é a Decora, especializada em criar imagens virtuais para sites de empresas de varejo online. Foi comprada pela Creative Drive em março de 2018 por US$ 100 milhões. “A empresa foi fundada em 2012 como uma plataforma para conectar projetistas e usuários (B2C). Hoje, o Decora trabalha com imagens 3D como serviços de realidade virtual”, diz o documento.

A Sumone é uma empresa de inovação e desenvolveu uma plataforma que é focada principalmente em serviços de varejo físico, seu principal produto é o Companion. Está focada na gestão no mercado B2B (business to business) local, com clientes como Subway, Habibs, Spoleto, etc.

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