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Super Bowl: você gastaria R$ 704 mil para comprar todos os produtos anunciados na grande final

New England Patriots fez história - mas evento é muito mais que um jogo e tem muito dinheiro envolvido, principalmente vindo da publicidade     

Super Bowl LIII
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Na noite do último domingo (3), o New England Patriots fez história e garantiu sexto título do Super Bowl - como é chamado o jogo final da NFL (National Football League). De fato, o evento é muito mais que um jogo e tem muito dinheiro envolvido, principalmente quando se trata de publicidade.

Um levantamento do MarketWatch descobriu que um consumidor gastaria US$ 191.803,68, cerca de R$ 704 mil, para comprar todos os produtos que foram anunciados durante a partida. 

Para chegar a esse valor final, o site considerou a lista de anunciantes do jogo com base em relatórios de publicidade divulgados pelos sites AdAge e Adweek.

Para produtos de consumo, como batatas fritas e cerveja, o site levou em conta os preços de uma série de varejistas, incluindo Walmart, Amazon e Total Wine & More. Para serviços de assinatura, o custo reflete um contrato de um ano. O cálculo foi feito para cada produto de todas as marcas que fizeram anúncios no domingo (3) especificamente.

Mas caro mesmo é comprar a publicidade veiculada no jogo de gigantes. A rede de televisão CBS (emissora oficial do jogo) cobrou o recorde de US$ 5,25 milhões por apenas 30 segundos de propaganda durante o jogo: isso é aproximadamente US$ 175 mil por segundo, cerca de R$ 640 mil.

Veja os dez produtos mais caros que foram anunciados no Super Bowl LIII: 

Produto anunciado  Marca anunciante Preço do produto 
1. Audi E-tron Audi  US$ 74.800
2. Mercedes-Benz A 220 sedan Mercedes-Benz US$ 32.500 
3. Hyundai Palisade 2020 Hyundai US$ 31.895
4. Toyota RAV4  Toyota US$ 25.500
5. Kia Optima 2019 Kia Motors  US$ 22.990
6. Viagem Nova York --> Instambul  Turkish Airlines  US$1.445
7. Serviço de Wi-Fi Verizon  US$ 900 (plano anual)
8.Serviço de Wi-Fi T-Mobile US$ 805 (plano anual)
9. Alarme de segurança para casa  Simpli Safe US$ 230
10. Amazon Prime  Amazon  US$119 

Historicamente, os anúncios do Super Bowl são um termômetro econômico

"O Super Bowl sempre reflete a economia", afirmou ao site Tim Calkins, consultor e professor de marketing da Kellogg School of Management da Universidade de Northwestern. As empresas que optam por anunciar durante o Super Bowl - e os próprios anúncios - podem servir como um forte indicador econômico.

Uma década atrás, dois anúncios em particular conseguiram capitalizar em uma época em que a economia enfrentava a pior recessão em anos. A Cash4Gold, uma empresa que compra ouro, prata e platina de consumidores, publicou um anúncio estrelado pelo apresentador de TV Ed McMahon e o rapper MC Hammer durante o Super Bowl 2009 comercializando seus serviços.

Foi a primeira vez que um anunciante usou da estratégia do marketing de resposta direta em um comercial durante o evento anual. E a E*Trade divulgou uma propaganda pela segunda vez consecutiva com um bebê falando sobre investimentos e a economia.

Em outros casos, os anúncios podem ser portadores de problemas à frente. Algumas startups online, como a Pets.com anunciaram seus produtos durante o Super Bowl 2000, pouco antes da bolha da internet estourar. E Ameriqest Mortgage rodou comerciais durante o jogo de 2005 um ano antes de o mercado imobiliário despencar no país. 

Sustentabilidade e tecnologia dominam os anúncios de 2019

Neste ano, ainda é preciso de tempo para ver quais anúncios em especial se destacarão do Super Bowl como indicativos do ambiente econômico, mas especialistas em marketing viram duas tendências predominantes.

Para começar, várias marcas buscam se destacar por meio da sustentabilidade. Como a Audi, que apresentou ao público sua próxima linha totalmente elétrica de veículos. Da mesma forma, a Budweiser exibiu um anúncio com seus cavalos da raça Clydesdale passando por um parque eólico.

Mas é o alto preço do produto da Audi  que chamou a atenção. O SUV da E-tron NSU, foi o item mais caro anunciado no domingo, com um preço de US$ 74.800, cerca de R$ 274,5 mil.

Este é um sinal de que os consumidores estão mais dispostos a gastar mais dinheiro se isso também significar que estarão ajudando o meio ambiente, disse Miro Copic, professor de marketing da Universidade Estadual de San Diego. Um carro elétrico e menos poluente já vale mais que um veículo tradicional do ponto de vista do consumidor. 

Invista seu dinheiro para ir ao próximo Super Bowl (não precisa comprar todos os produtos anunciados). Abra sua conta na XP - é de graça. 

"No passado, se um vendedor mostrasse que um produto orgânico custava mais do que o produto convencional, ele preferiria pagar menos. Isso está mudando, especialmente com os Millennials e a Geração Z", explicou Copic.

Além disso, várias grandes empresas de tecnologia investiram uma quantia significativa em anúncios do Super Bowl este ano. A Amazon exibiu dois anúncios promovendo sua assistente virtual Alexa e produtos relacionados a ela e o conteúdo de vídeo do Amazon Prime.

A Microsoft divulgou um comercial com crianças deficientes que jogam videogames no Xbox usando controles adaptados.  

Atenção: sinal amarelo

Por outro lado, é preciso atenção: há uma sensação de que, com a economia americana seguindo para tempos mais turbulentos no próximo ano, os consumidores podem não estar no ânimo para compras.

"Os consumidores podem hesitar em grandes compras", disse Charles R. Taylor, professor de marketing da Escola de Negócios da Universidade de Villanova. Isso explica por que alguns fabricantes de carros, incluindo a Chrysler, a Chevrolet e a Ford optaram por não anunciar seus comerciais no Super Bowl este ano, segundo Taylor.

E ao mesmo tempo, isso também significa que as empresas que fizeram anúncios  não buscam impulsionar as vendas no curto prazo. Em vez disso, procuram reforçar sua identidade de marca. "Os profissionais de marketing estão se concentrando no longo prazo com responsabilidade social e reputação", disse Taylor.

 

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