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Super Bowl e "naming rights": a aula de negócios que a NFL dá nos times de futebol brasileiros

Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, será o palco do confronto entre New England Patriots e Los Angeles Rams neste domingo

Mercedes-Benz Stadium
(Shutterstock)

SÃO PAULO - No próximo domingo (3), às 21h, acontece o tão aguardado Super Bowl LIII, um dos maiores eventos esportivos do mundo e que coroa o campeão da NFL (National Football League, na sigla em inglês).

A partida será disputada entre o New England Patriots e o Los Angeles Rams, mas para os brasileiros, que não costumam acompanhar o futebol americano, o nome do estádio pode parecer estranho: Mercedes-Benz Stadium.

O chamado "naming rights" começou a tomar os noticiários futebolísticos brasileiros apenas nos últimos anos, mas nos Estados Unidos é algo mais do que comum. Praticamente todas as arenas, seja de times da NFL, NBA (basquete), MLB (baseball) ou NHL (hockey), têm nomes de empresas em suas fachadas. A Mercedez, que dá nome ao estádio do Super Bowl desta temporada, também tem os direitos do campo do New Orleans Saints.

"A venda de naming rights na NFL e mesmo no futebol na Europa é bastante comum, pois é uma forma do clube ajudar na construção de seus estádios", explica o consultor de gestão e finanças do esporte, Cesar Grafietti, citando ainda casos conhecidos no futebol europeu, como a Allianz Arena do Bayern de Munique, do Allianz Arena da Juventus e do Emirates Stadium do Arsenal.

O Mercedes-Benz Stadium custou US$ 1,6 bilhão para ser construído e o contrato da montadora para nomear o estádio foi assinado em 2015, no valor de US$ 324 milhões, com duração de 27 anos. "Esses valores são importantes fontes de receita para ajudar no pagamento dos financiamentos da construção", diz Grafietti.

Dos 31 estádios da NFL, 26 tem seus naming rights vendidos para alguma grande empresa. E vale destacar que não para por aí: em algumas arenas existe ainda a venda de nomes em outras partes do complexo. Por exemplo, para quem visita o MetLife Stadium, em Nova Jersey, cada uma das quatro entradas possuem nomes de empresas: Pepsi, BudLight, SAP e Verizon.

Apesar de ser um negócio bastante lucrativo para as companhias, os clubes conseguem um ótimo financiamento durante anos. No Brasil, porém, a estratégia é pouquíssimo aproveitada, sendo que apenas três arenas tem naming rights vendidos: Allianz Parque, Itaipava Fonte Nova e Itaipava Arena Pernambuco.

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O caso mais conhecido no futebol brasileiro é do Palmeiras, em que a WTorre, que tem a concessão do estádio, depende muito da receita de longo prazo garantida pelos naming rights. "Precisamos lembrar que estádios modernos são estruturas de custo elevado de construção, manutenção, e as receitas geralmente está muito atreladas ao seu fim. Portanto, receitas fixas e de longo prazo apenas em troca do nome são interessantes sob o ponto-de-vista de estabilidade de fluxo de caixa", explica o consultor.

Por que o Brasil não aproveita

O maior problema para o futebol nacional é a falta de divulgação do nome oficial pelos meios de comunicação, especialmente a Rede Globo. Isso está diretamente ligado à dificuldade que outros times têm para venderem os nomes das arenas, como é o caso da Arena Corinthians. Não só isso, a estrutura praticamente amadora dos negócios no futebol brasileiro e a complicada situação financeira dos clubes também dificulta muito a situação.

Dos dois times que estão no Super Bowl, apenas o Patriots tem namings rights de seu estádio, em Boston, vendidos, no caso para a Gillette. O Rams, por sua vez, se mudou recentemente para Los Angeles (que já foi sua casa no passado) e atualmente joga no Los Angeles Memorial Coliseum, mas já tem uma arena em construção.

Com o nome de Los Angeles Stadium at Hollywood Park, o estádio tem previsão de inauguração em 2020 e também abrigará o Los Angeles Charges, mas ainda não vendeu seus direitos de uso do nome.

Enquanto clubes de futebol no Brasil lutam para ajustarem suas finanças e se tornarem mais competitivos mundialmente, os americanos mostram em seus times como ganhar milhões, não só de forma recorrente no longo prazo, mas com estratégias que aliviam até mesmo os gastos com construções e modernizações de estádios. Por aqui ficam os elefantes brancos, lá ficam os legados.

Conheça um pouco mais sobre o Mercedes-Benz Stadium, sede do Super Bowl LIII:

 

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