Em negocios / grandes-empresas

Após balanço do Santander derrubar ação, o que esperar dos outros bancos brasileiros

Santander mostrou resultados acima do esperado em números, mas decepcionantes na qualidade dos ativos  

Bancos privados
(Reprodução)

SÃO PAULO – Começou nesta quarta-feira (30) a bateria de divulgações de resultados trimestrais dos grandes bancos brasileiros. O primeiro a dar as caras foi o Santander (SANB11), que apresentou bons números líquidos, mas má qualidade nos ativos, de acordo com analistas (leia mais aqui). Com os números, a ação do banco desabou: às 16h50, a queda estava em 5,00%. 

Nesta quinta-feira (31), será a vez do Bradesco (BBDC4). A previsão é que o banco divulgue o balanço do quarto trimestre de 2018 pela manhã, antes da abertura da Bolsa de valores (às 10h).

Em geral, espera-se que os bancos brasileiros se beneficiem com a expansão da carteira de crédito em 5,5% e na queda do índice de inadimplência, cuja taxa média em 2018 ficou em 2,9%.

“Na nossa visão, as principais mensagens para este ano serão crescimento de dois dígitos na carteira de crédito, queda no custo de risco, taxas pouco acima da inflação e despesas controladas”, estima análise do Itaú BBA assinada por Thiago Bovolenta.

A analista Tatiana Brandt, da Eleven, explica melhor. "Em meio à vagarosa retomada econômica em 2018, com juros historicamente baixo e o BNDES reduzindo sua exposição, as grandes empresas se financiaram via Mercado de Capitais e o varejo sustentou o avanço das carteiras de crédito", detalha.

"A inadimplência ampliada no passado provocou a readequação do perfil de risco dos clientes pelos bancos, migração para créditos de melhor qualidade ou linhas mais defensivas, possibilitando a queda das despesas com provisão para devedores duvidosos - o driver da lucratividade no ano [2018]", continua. Tudo isso permeará os resultados a serem divulgados nos próximos dias. 

As principais escolhas do analista para agora são Bradesco e Banco do Brasil (BBAS3) – sendo que o estatal deve apresentar resultados levemente abaixo dos privados em termos de crescimento de portfólio.

Uma pesquisa do Morgan Stanley estima que o BB deva apresentar receitas totais de R$ 22,8 bilhões no trimestre, com lucro líquido de R$ 3,4 bilhões e ROE (retorno sobre o patrimônio, usado para calcular a capacidade do banco de crescer com os ativos que já possui) em 13,5%.

Invista em ações de bom desempenho com corretagem ZERO pela Clear. Clique aqui e abra sua conta. 

Vale lembrar que o BB em si está na mira de investidores pelas promessas de privatizações e IPOS no governo Bolsonaro. "Estamos mais confiantes de que o banco levará para frente com essas iniciativas de lucratividade", escreve a XP. 

Para o Bradesco, analistas da XP esperam bons números relacionados à maior exposição ao segmento de varejo, “que cresceu rapidamente e atingiu boa lucratividade”. Eles também veem espaço para melhorias nas taxas de inadimplência. Para analistas do Santander, há ainda espaço para o banco se beneficiar de "seu ciclo de crédito ainda atrasado, se comparado principalmente ao Itaú". 

O Morgan vê seguintes números para o banco no trimestre recém-encerrado: R$ 24 bilhões em receita; R$ 4,5 bilhões em lucro líquido e ROE em 16,3% no trimestre.

Com maior ROE (retorno sobre patrimônio) entre os bancos brasileiros, o Itaú (ITUB4) também é uma recomendação de compra da XP graças ao excesso de capital.

O Morgan estima receitas totais em R$ 28,8 para o banco, com lucro líquido de R$ 6,5 bilhões e ROE de 22%. A divulgação do resultado do Itaú está marcada para o dia 4 de fevereiro após o fechamento do pregão (às 18h).

 

Contato