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Apple terá de lidar com novo (e duradouro) problema com iPhones, mostram resultados

Receita do iPhone caiu 15% em relação ao mesmo período do ano passado   

Tim Cook
(Getty Images)

SÃO PAULO - A Apple divulgou seus resultados financeiros na última terça-feira (29), após o fechamento do pregão. Os números foram melhores que o esperado pelo mercado, mas deixaram muito claro: o segmento de iPhones está em um movimento de declínio que deve permanecer por algum tempo, graças a uma mudança no perfil de consumo mundial. 

A receita das vendas do iPhone caiu 15% em relação ao mesmo período do ano passado, queda acentuada para uma linha de produtos cujo crescimento ficou inabalados por muitos anos. 

Na teleconferência com analistas, o CEO da Apple, Tim Cook, creditou o declínio nas vendas do iPhone a um conjunto de fatores, incluindo taxas de câmbio, um programa de substituição de baterias por preços mais baixos em 2018 e a diminuição dos subsídios fiscais para montagem de smartphones.

Cook também observou condições macroeconômicas "mais severas" na China, que já foi um dos mercados mais promissores da Apple, reiterando a afirmação feita na carta de alerta aos investidores no começo deste mês.

As vendas da Apple na China caíram consideravelmente. A receita na região foi de US$ 13,17 bilhões, abaixo dos US$ 17,95 bilhões no mesmo período do ano passado.

De fato, a Apple não tem expectativa de melhora nas vendas de iPhones. Luca Maestri, diretor financeiro da Apple, disse a analistas que a empresa espera que alguns dos fatores destacados por Cook continuem "afetando o desempenho do iPhone" no próximo trimestre. 

Um novo (e duradouro) problema 

Cook admitiu que a linha de produtos para iPhone enfrenta um outro problema mais "existencial" do que as condições econômicas em qualquer país em particular: as pessoas estão demorando mais para comprar novos smartphones.

"O ciclo de atualização se estendeu. Não há dúvida sobre isso", disse Cook. É verdade que os preços dos aparelhos estão realmente salgados, passando de US$ 1.000, mas o CEO não atribuiu a queda nas vendas diretamente a isso. 

A Apple informou que espera que a receita de vendas esteja entre US$ 55 bilhões e US$ 59 bilhões neste primeiro trimestre de 2019, abaixo da estimativa média de analistas de US$ 59 bilhões, segundo uma pesquisa conduzida pela consultoria Refinitiv. "Mas vamos aumentar a receita em outras frentes do negócio", observou Maestri.

Esse é essencialmente o novo argumento da Apple para os investidores: a linha de  iPhones, que há muito tempo é o principal negócio da Apple, pode estar em declínio, mas outras categorias de produtos estão crescendo rapidamente para compensar essa queda. 

O segmento de Serviços, em particular, subiu 19% para um recorde de US$ 10,9 bilhões - embora isso represente apenas uma pequena fração do negócio do iPhone. 

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"A Apple está passando por um período de transição no momento. Eu ainda acredito que continuará sendo uma empresa de produtos e que o segmento de serviços ainda é auxiliar", disse Dan Morgan, gerente sênior de portfólio da Synovus Trust, em entrevista ao CNN Business.

As ações da Apple subiram 5% no pregão de terça-feira (29) após o relatório de lucros. Nesta quarta-feira (30), os papeis mantêm movimento de alta e sobem 5,4% no premarket. Nos últimos doze meses as ações acumulam queda de 7,62%. 

Receita menor 

A diminuição das vendas do iPhone levou à primeira queda de receita em um último trimestre desde 2000.  A Apple registrou receita de US$ 84,3 bilhões no trimestre, levemente melhor do que o esperado, após seu alerta no início do mês. Mas 5% menor do que o mesmo trimestre de 2017. 

 

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