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Banco Inter divulga resultados e quer mostrar na bolsa do que uma fintech é capaz

Crescimento exponencial com aumento expressivo na base de clientes são destaques vistos por analistas, mas alguns números preocuparam

Banco Inter
(InfoMoney/Paula Zogbi)

SÃO PAULO – Primeira fintech de capital aberto na bolsa brasileira, o Banco Inter (BIDI4) divulgou o balanço completo de seus resultados financeiros na última quarta-feira (31).

Os números continuam confirmando os fatores que fizeram a ação disparar entre setembro e outubro: aumento significativo na base de clientes e, mais importante ainda, consistência na curva financeira positiva. Ainda assim, alguns analistas tinham perspectivas ainda mais otimistas e viram "copo meio vazio" no anúncio.

No trimestre, o lucro líquido do banco digital ficou em R$ 19,1 milhões – aumento de 83% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O custo de captação, relevante na análise de empresas em crescimento, foi reduzido em 12,1 pontos percentuais na comparação com 2017, para 83,8% do CDI.

Por outro lado, as despesas vêm crescendo mais rapidamente que as receitas. Considerando que a necessidade de investimento em prol do crescimento tende a subir, isso é preocupante para o médio prazo. 

Também chamou a atenção o desenvolvimento da área de crédito abaixo da expectativa do mercado. Essa área cresceu 20% ano a ano, enquanto o mercado esperava entre 30% e 40%. Vale lembrar que o crédito imobiliário é visto como o principal motor de crescimento para o banco digital nos próximos anos, já que gera sozinha cerca de 60% da receita total.

Ao mesmo tempo, a abertura de contas segue impressionante: são mais de 6 mil novos clientes por dia útil, de acordo com o relatório do balanço. No trimestre foram abertas 308 mil contas, o que totalizou 1,05 milhão de clientes para a fintech.

Mais importante ainda, a instituição vem aumentando o engajamento dos correntistas. O número de usuários mensais ativos, ou seja, aqueles que geram receita para o banco no mês, cresce vertiginosamente e estava acima de 600 mil em setembro.

Para João Vitor Menin, presidente da instituição, o trimestre “foi espetacular”. Ele vê os números como prova de um “ciclo virtuoso do modelo de negócios” – e é justamente isso que os investidores buscam na empresa quando compram seus papéis na bolsa.

“Somos um negócio que ainda apresenta padrão de crescimento exponencial”, disse, no mês passado, o diretor de Relações Internacionais da empresa ao InfoMoney. “A maioria das empresas da bolsa brasileira são tradicionais, com pouco potencial de ampliação rápida”.

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Graças a isso, é relevante o número de investidores institucionais em busca da empresa. Na segunda-feira desta semana, a gigante gestora BlackRock adquiriu 2,4 milhões de ações preferenciais do banco, passando a deter 4,8% do total destes papéis. Pouco antes, em meados de setembro, a Ponta Sul Investimentos tornou-se detentora de 15,4% das ações preferenciais.

A respeito do resultado trimestral, o analista Thiago Kapulskis, do BTG Pactual, destacou também o potencial de novos produtos, assumindo que a venda cruzada vem desempenhando papel relevante no crescimento do banco. Recentemente, o Inter apresentou sua caderneta de poupança e produtos de câmbio; em dezembro, deve lançar um home broker.

Já Jorge Kuri, do Morgan Stanley, tem suas reservas. "Nossa tese negativa é baseada em desafios de execução que a empresa pode enfrentar enquanto tenta aumentar o negócio. Este trimestre reiterou nossa preocupação", disse ele. 

No pregão desta quinta-feira, após os resultados, os papéis do Banco Inter chegaram a disparar 4,09%, mas rapidamente amenizaram a alta, que fica em 1,15% pela manhã. No mês, a alta acumulada ficou em 40,28%.

 

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