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Reunião secreta da Apple em NY criou um dos maiores negócios de assinatura do mundo

Modelo da App Store pode estar datado e sujeito a uma mudança brusca  

iPhone X Apple smartphone celular
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Uma “reunião secreta” organizada pela Apple em um apartamento em Nova York pode ter mudado a forma como se distribui software ao redor do mundo. A conversa, que ocorreu em abril de 2017, de acordo com o Business Insider, abriu caminho para a criação de uma App Store totalmente reformulada, focada em um modelo de assinaturas que transforma softwares em serviços. Este modelo está deixando gigantes como Netflix e Spotify para trás. 

Participaram da conversa com a Apple 30 desenvolvedores. A missão da empresa era convencê-los de que o modelo de negócios de aplicativos móveis estava mudando. Isso porque, até então, o mercado de apps tinha a tendência de baixar o preço dos softwares e cobrar apenas uma vez pelo download. Com isso, mesmo os produtos de boa qualidade têm preços baixos e precisam de quantidades absurdas de downloads para monetizar – ou apelar para anúncios.

O modelo que fica para trás

Um app como o Facebook ou o Instagram, que permite interações entre seres humanos, é visto como uma rede. Outra categoria, aquela que possibilita cortar ou editar fotos, por exemplo, é a de ferramentas – ou, para usar a analogia feita pela Apple, “martelos”.

Para a primeira categoria, preços baixos ou downloads gratuitos dentro do maior distribuidor de software do mundo é uma oportunidade. Com esta democratização, podem expandir a base de usuários e ganhar mais com o que realmente importa para estas empresas: anúncios dentro das plataformas.

Do outro lado, as ferramentas, ou apps de “utilidades”, funcionam melhor quando a tela não está poluída com milhares de banners. Pequenas empresas e pessoas que desenvolvem este tipo de software acabam vendendo sua tecnologia por poucos dólares, pagos apenas uma vez, e não conseguem receita frequente para arcar com todos os custos de manter sua tecnologia ativa: servidores, funcionários, atualizações.

Neste modelo, aplicado até 2016 para todos os apps pagos, a Apple fica com 30% do valor e repassa um cheque de 70% aos desenvolvedores.

O novo modelo

Em 2016, a Apple passou a permitir a cobrança de mensalidades dentro da App Store no modelo chamado de Subscriptions 2.0 (assinaturas 2.0). Em setembro deste ano, este sistema completa dois anos de idade. Ele permanece correspondendo a uma pequena fração dos 2 milhões de apps disponíveis na loja da Apple (30 mil no total), mas chegou a arrecadar US$ 300 milhões no último balanço (60% a mais que no ano passado).

Voltando à reunião em 2017 em Nova York, a ideia da Apple foi convencer pequenos desenvolvedores dos benefícios do modelo de assinaturas. Em vez de pagar uma vez por cada app que queiram, os usuários passam a pagar regularmente. Com isso, cresce a necessidade de criar produtos aos quais as pessoas serão fiéis.

Como forma a estimular que os desenvolvedores aceitem esta mudança, a Apple tentou uma estratégia financeira. Nos primeiros meses, a fatia que toma para si do dinheiro arrecadado segue em 30%. Mas, quando o cliente mantiver o pagamento mensal dos apps por mais de um ano, a fatia da empresa cai para 15% - deixando 85% para o desenvolvedor.

A mensagem foi clara: os apps que apostarem em fidelidade serão mais bem-sucedidos que os que conseguirem, simplesmente, os maiores números de downloads.

Alguns desenvolvedores já começaram a seguir os novos passos. Entre eles, os da empresa israelense Lightricks, dona dos apps FaceTune e FaceTune 2, entre outros.

O FaceTune, que edita fotos para remover imperfeições e custava US$ 3,99, aparece frequentemente como o app pago mais baixado na loja de apps dos EUA. Mas, segundo a Lightricks, o FaceTune 2, que utiliza o sistema de assinaturas, tem mais de 500 mil assinantes ativos dispostos a pagar valores muito mais altos pelas ferramentas ofertadas. Baixar a versão 2 do popular aplicativo custa US$ 5,99. Anualmente, o valor é de US$ 32. Também é possível pagar apenas uma vez e usar para sempre, por US$ 69,99 – preço praticamente inimaginável para qualquer app antes de 2016.

Com 300 milhões de usuários que pagam por assinaturas, a App Store já ultrapassa nomes como Netflix (125 milhões), Spotify (83 milhões) e HBO Now (5 milhões). Silenciosamente, a empresa de US$ 1 trilhão está construindo o maior serviço de assinaturas do mundo – e compensando a queda nos níveis de aumento de vendas do iPhone.

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