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Tesla é investigada após tuíte de Musk sobre fechar capital; ações caem 6%

Elon Musk comunicou a possível saída da empresa da bolsa em seu Twitter, canal que não é formal; objetivo da investigação, entretanto, vai além disso

Elon Musk
(Reprodução)

SÃO PAULO – A imagem de Elon Musk dentro da Tesla já não é a melhor há algum tempo. Em junho, um fundo que tem participação na companhia escreveu uma carta aberta pedindo que o executivo deixasse o cargo de CEO da empresa. Mas nesta terça-feira (7), depois de um tuíte inesperado sugerindo que a empresa fechasse seu capital, ela ficou ainda pior.

“Estou considerando privatizar a Tesla quando alcançarmos US$ 420 a ação. Financiamento está garantido”, escreveu Musk no tuíte, publicado quando o pregão ainda estava aberto. Logo após isso, as ações da Tesla tiveram alta de 10,99%, levando a empresa a ganhar US$ 6,37 bilhões em valor de marcado.

Mas a “felicidade” durou pouco tempo. Isso porque, tal como acontece no Brasil, as companhias norte-americanas precisam divulgar informações relevantes através de comunicados ao mercado fora do horário do pregão, o que faz do tweet de Musk algo “ilegal”. Não à toa, a SEC (Securities and Exchange Comission), que tem o mesmo papel da CVM brasileira, deve abrir uma investigação formal contra a Tesla e o CEO, segundo informações do Wall Street Journal.

As ações da empresa caíram 6% atingiram a mínima do dia na bolsa norte-americana, com ações a US$ 346, após as especulações sobre a investigação. 

A investigação vai além da forma como o executivo comunicou a intenções da empresa– o que é ainda mais preocupante. Em tweets seguintes, Musk comentou que “vai garantir a prosperidade do investidor da empresa em qualquer cenário” e indicou também que a companhia tem condições de comprar as ações dos investidores caso ela de fato feche capital.

A SEC vai investigar se a empresa de fato tem uma fundo emergencial para garantir que os investidores não sofram prejuízos. Se for descoberto que tal fundo não existe, Musk pode ser acusado de manipulação do mercado e até mesmo de fraude dos títulos.

É estabelecido no artigo 14 da SEC que companhias listadas na bolsa de valores norte-americana são proibidas de anunciar planos de vender ou comprar títulos se os executivos não pretendem seguir com o plano, não têm os meios necessários para finalizar o acordo ou o fazem com o objetivo de manipular o preço da ação “direta ou indiretamente”.

Considerando que a Tesla hoje tem US$ 10,9 bilhões em dívidas, o mercado está desconfiado da afirmação do executivo. Em nota divulgada nesta terça-feira (7) pouco após a publicação de Musk, o analista da UBS, Colin Langan, escreveu: “Informações sobre a privatização da Tesla já teriam vazado se a companhia já tivesse conversado com instituições sobre um financiamento para tal fim”. A Bloomberg publicou que a empresa tentou negociar com o SoftBank em 2017 sobre uma linha de financiamento, mas que não chegaram a um acordo.

Problemas anteriores
No geral, a situação financeira da Tesla não é positiva. Além da dívida, ela perdeu cerca de US$ 2 bilhões no ano passado e já queimou boa parte do dinheiro em caixa que possuía.

Em abril, a empresa registrou o pior mês de resultados em 7 anos após enfrentar problemas com a tecnologia dos carros autônomos, que chegou a causar um acidente fatal nos Estados Unidos. Já no mês seguinte, outro Tesla se envolveu em um acidente de trânsito quando também estava no modo autônomo.

A empresa também teve problemas envolvendo o Model 3, sedã cuja meta ambiciosa de produção por pouco não foi atingida, e encomendas acabaram sendo atrasadas. O carro era a grande aposta da Tesla para se “popularizar” no mercado norte-americano mas, por conta das dificuldades, terá seu lançamento oficial somente no próximo ano.

A expectativa de Musk é de que a empresa comece a ser lucrativa no terceiro trimestre deste ano. Até lá, investidores seguem preocupados com o quanto a empresa vem gastando – ainda sem ter retorno.

A Tesla não se posicionou sobre a possível investigação do SEC.

 

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