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CEO da PepsiCo, Indra Nooyi deixa comando da empresa após 12 anos; conheça a executiva

Ações da PepsiCo valorizaram de 79% desde que Indra assumiu como CEO

Indra Nooyi
(Wikipedia Commons)

SÃO PAULO – Depois de 12 anos como CEO da PepsiCo, Indra Nooyi deixará o cargo ainda neste ano, anunciou a companhia nesta segunda-feira (6). O atual vice-presidente, Ramon Laguarta, será o substituto - ele assume o posto no dia 3 de outubro e passará também a fazer parte do conselho da companha.

A trajetória de Indra dentro da PepsiCo é marcante: indiana que migrou aos Estados Unidos, ela foi a primeira mulher a assumir o comando da empresa e também a primeira CEO imigrante. Ao todo, tem 24 anos de casa, ocupando posições de liderança desde 2001, quando se tornou CFO.

Sob seu comando, a PepsiCo enfrentou – e muito bem – a recessão e onda de consumidores contra o consumo de refrigerantes, produto que é carro-chefe da companhia. Ela foi a responsável por expandir a empresa para novos nichos e negócios, incluindo o de alimentos mais saudáveis, como húmus e chips vegetais sob a marca da Elma Chips.

Os números não negam o sucesso da estratégia: desde 2006, ano em que a executiva assumiu a presidência, as ações da PepsiCo valorizaram 79%, de acordo com dados da FactSet. A receita líquida da empresa também saltou de US$ 35 bilhões para US$ 67 bilhões no período.

Indra também contornou a pressão de investidores para dividir a empresa em duas unidades distintas, de bebidas e alimentos. Isso por conta do surgimento de marcas de bebidas concorrentes de nos Estados Unidos, que ameaçaram – e ainda ameaçam – os negócios da PepsiCo.

A estratégia impulsionada pela executiva foi de fortalecer marcas de bebidas, como Gatorade e Mountain Dew, através de investimentos em publicidade e lançamento de novas versões dos rótulos, como Mountain Dew Baja Blast e Gatorade Zero. No segmento de alimentos, a empresa também apostou na aquisição de outras empresas para aumentar sua penetração no mercado, principalmente de snacks – em maio deste ano, por exemplo, anunciou a compra da companhia Bare Foods, de frutas e vegetais assados. Isso foi suficiente para manter os dois negócios da PepsiCo sob o mesmo nome e gestão e acalmar os ânimos de acionistas.

A saída da executiva se dá no mesmo contexto de quando assumiu: queda generalizada no consumo de refrigerantes e produtos industrializados em todo o mundo, fruto de uma mudança no perfil de consumidores, que hoje preferem alimentos orgânicos e naturais. No segundo trimestre, a fabricante registrou um lucro líquido de US$ 1,8 bilhão, valor 14% mais baixo em relação aos US$ 2,1 bilhões faturados no mesmo período do ano passado.

Liderança feminina e imigrante
Um assunto recorrente nas palestras e painéis de Indra é a dificuldade que enfrentou como líder por ser mulher e imigrante.

Ela, que sempre esteve nas listas das mulheres mais poderosas do mundo da Forbes – na última edição, ficou na 2ª posição –, comenta que “sentiu na pele” o preconceito por conta de seu gênero e origem. “Eu tive que trabalhar com mais afinco para provar que cor e gênero não deveriam contar contra mim”, disse em painel da Bloomberg no ano passado.

Ativista, ela é defensora de cotas para mulheres dentro de empresas para “promover a equidade de gênero”. “É bom que as companhias tenham 30% ou 40% de mulheres. Quando isso é uma meta você acha pessoas boas, pois existem muitas mulheres talentosas”, chegou a dizer. Vale lembrar que a PepsiCo promoveu, no Brasil, o programa Ready to Return, que recruta mulheres que estão há no mínimo dois anos fora do mercado de trabalho.

O ativismo está entre os planos da executiva para sua vida pós-PepsiCo. Em entrevista recente à BBC, ela comentou que pretende dedicar-se à formação de mulheres para cargos de lideranças em empresas. “Pessoas como eu, depois que deixam seus cargos, precisam continuar lutando para desenvolver mulheres, mentorá-las, apoiá-las, para que tenhamos mais mulheres altamente qualificadas”, comentou.

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