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No ringue das maquininhas, Cielo erra o golpe e PagSeguro se aproxima do cinturão

Peso-pesado com resultados de peso-mosca? Números da Cielo vêm muito abaixo da expectativa, abrindo espaço para os golpes da PagSeguro

Cielo - máquina
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO – A Cielo (CIEL3) divulgou nesta terça-feira (31) os resultados do primeiro semestre de 2018. Diante de novas apostas em soluções de pagamento – a empresa, que segue líder no setor, mostrou números decepcionantes pode perder o cinturão dentro da luta das maquininhas. 

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A empresa fechou o período com lucro líquido ajustado de R$ 817,5 milhões, uma queda de 17,8% ante os R$ 994,3 milhões registrados um ano antes. Este resultado foi 13% abaixo da expectativa do mercado. A receita, por sua vez, teve leve avanço de 3,4% em um ano, encerrando o período em R$ 2,927 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 1,147 bilhão entre abril e junho, uma queda de 10,3% ante os R$ 1,279 bilhão do mesmo período de 2017.

Analistas não esconderam a decepção com o balanço. Segundo analistas do BTG Pactual, o volume de cartões caiu ante os últimos 2 trimestre e os gastos aceleraram por conta de novas campanhas de marketing que começaram em abril - referentes à Cielo LIO. "Apesar do dividendo anunciado e o sell-off recente, com queda de 30% no acumulado do ano, vemos grandes desafios pela frente e por isso temos cautelosos", destacou o BTG.

Enquanto isso, o PagSeguro liberou resultados preliminares positivos poucas horas depois da decepção da concorrente. Embora o balanço consolidado da empresa ainda demore um mês para ser divulgado, foi anunciado lucro líquido de R$ 242 milhões, aumento de 195% ano a ano e 9,2% acima da expectativa do mercado. O lucro líquido ajustado aparece em R$ 201 milhões. Para analistas do Credit Suisse, a dona da Moderninha mostra estar navegando ainda em “mares relativamente calmos”.

Na última segunda-feira, a PagSeguro decidiu baixar o preço da Moderninha de 12 x R$ 28,92 para 12x R$ 19,90 em uma promoção anunciada nas redes sociais. Isso aumenta a competitividade para o produto, voltado a pequenas empresas e microempreendedores.

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Para a Cielo, a cartada mais recente foi uma jogada de marketing com o relançamento da LIO – terminal mais robusto, com funcionalidades extras e, portanto, fora do escopo de preços de maquininhas como a Moderninha. A empresa registra expansão nas instalações deste produto: já são 80 mil unidades instaladas. 

Também foi anunciado nesta semana o lançamento de um cartão pré-pago da Cielo e da Stelo, voltado a clientes que desejarem receber os recursos das vendas diretamente em um pré-pago, sem passar por conta bancária. A solução será emitida pela Alelo e entra em funcionamento apenas em agosto. 

Outras lutas

Vale lembrar que a Cielo não é a única competidora da PagSeguro neste ringue - e existem outras empresas mais focadas em abocanhar justamente o mercado das pequenas empresas.

Para além das competidoras tradicionais Stone e Sumup, recentemente, o Itaú (ITUB4) apareceu como a possível maior ameaça para as maquininhas “de entrada”. Sua novidade, a POP Credicard, tem preço competitivo e as menores taxas transacionais do mercado – ou seja, promete ferimentos graves para a detentora do cinturão.

Mais recentemente ainda, o Santander anunciou uma nova estratégia para a sua antiga “vermelhinha”, resultado da aquisição da GetNet - já experiente no mercado. Sua maquininha, a SuperGet, tem exatamente o mesmo preço de aquisição da Maquininha promocional – mas ainda apresenta taxas transacionais um pouco mais salgadas.

A ação da Cielo caiu 9,75% nesta terça-feira, enquanto o Ibovespa (IBOV) registrava -1,31%. Listada nos Estados Unidos, a PagSeguro viu queda de 5,91% no pregão ante alta de 0,46% do índice NYSE. Após o fechamento do mercado, a brasileira tinha alta de 1,94%. 

 

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