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Pão de Açúcar prova que consegue "comprar" clientes fiéis com brindes – mas até quando?

Após resultado impressionante, analistas refletem sobre a longevidade da estratégia do GPA para impulsionar vendas  

loja Pão de Açúcar 2
(Divulgação)

SÃO PAULO – A ação do Pão de Açúcar (PCAR4) apresentou alta de 7,7% na última quarta-feira (25) após divulgação de resultados impressionantes no dia anterior. O GPA registrou lucro líquido de R$ 526 milhões no segundo trimestre desse ano – resultado 5 vezes superior ao mesmo período de 2017.

O grande destaque para o mercado no resultado do grupo neste trimestre foi a aceleração no segmento do Multivarejo, que reúne as bandeiras Pão de Açúcar e Extra. Isso porque essa frente em específico teve recuo no ano passado frente a 2016. No período analisado, porém, a receita líquida subiu 10% ano a ano, e o Ebitda ajustado, 25,5%. 

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Já não é segredo que a grande estratégia do GPA no segmento Multivarejo é a fidelização dos clientes. Com as promoções Juntou, Ganhou e Juntou & Trocou, Extra e Pão de Açúcar, respectivamente, incentivaram o retorno constante de clientes às suas unidades com a promessa de trocar compras (que viram selos) por utensílios de cozinha: facas e panelas. Além disso, destacam-se ações como o aplicativo que dá desconto aos clientes do programa de fidelidade, wi-fi nas lojas e, para o PDA, a possibilidade de pagar pelas compras no caixa sem pegar fila – também exclusiva aos cadastrados.

Vale lembrar que boa parte do sucesso do grupo no período se deve ao crescimento da receita da bandeira Assaí: um aumento de 34% no Ebitda ano a ano, demonstrando plena ascensão dos negócios. Mas o segmento de atacarejo - que reúne preço baixo (típico do atacado) às características do autosserviço (típicas do varejo) - vem apresentando bons números já há seis trimestres e parece ser uma constante entre a maior parte dos players do mercado.

Por isso, a grande discussão agora é sobre a estratégia de fidelização. Em poucas palavras: a reversão do resultado no Multivarejo é consistente ou apenas “fogo de palha”?

“É apenas o começo”, diz um relatório do Itaú BBA assinado pelo analista Thiago Macruz. A instituição acredita em tendência de recuperação no longo prazo para as bandeiras do Multivarejo, o que, somado a uma expansão consistente do Assaí, justifica uma avaliação de “outperform” para o grupo. O BBA trabalha com estimativa de valor de R$ 104 para a ação da empresa neste ano.

O BTG Pactual, por sua vez, falou em “crescimento suave no geral” apesar da recuperação do Multivarejo. Os analistas do banco haviam previsto crescimento na mesma taxa apresentada pelo grupo, e acreditam em aumento da ação no curto prazo. O banco destaca, porém, uma “dificuldade em termos competitivos com players regionais e o formato pouco atraente dos hipermercados”. Não à toa, uma das estratégias do GPA, anunciada recentemente, visa transformar algumas das lojas da fraca bandeira Extra Hipermercado em promissoras unidades da Assaí.

Para os próximos resultados, o mercado deve começar a ver os resultados do renascimento da marca Compre Bem, que o grupo decidiu lançar a partir do início deste semestre com foco no cliente de classes B e C que hoje compra em redes regionais. 

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