EXPERIMENTE!

Clique e experimente a
versão rápida do

Em negocios / grandes-empresas

Ambev vs. Heineken: a batalha do momento por um espaço na sua mesa de bar

Principal ameaça da Ambev continua sendo a concorrência da verdinha

Cervejas mesa
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A Heineken continua sendo a maior ameaça para o futuro da Ambev (ABEV3), na visão de grandes players do mercado. Embora a batalha de ambas pelas geladeiras das casas e bares brasileiros não seja tão nova, há fatores que acirram a disputa nos últimos meses.

Em primeiro lugar, a Heineken não esconde sua vontade de crescer no Brasil. Em entrevista recente à Reuters, o diretor para as Américas Marc Busain disse que o país já é o maior mercado da companhia em volume de vendas. Seus planos são transformar o território em uma máquina de lucros tão relevante quanto são México e Vietnã nos próximos dois ou três anos.

Há motivos para a ambição e otimismo: estagnadas na maior parte do mundo, as vendas de cerveja continuam observando tendência de alta por aqui. Basta somar a isto um mercado de 208 milhões de pessoas, dominado por poucos players relevantes e pronto: a Heineken tem uma receita mais harmoniosa que malte, lúpulo e água. 

O primeiro processo na enorme caminhada da empresa para brigar com a gigantesca Ambev é a equalização de portfólios. Com a aquisição da Brasil Kirin em 2017 – e a chegada de marcas como Schin, Baden Baden, Glacial, Cintra, Devassa e Eisenbahn, totalizando 15 rótulos – a Heineken fica mais perto (a 10 marcas de distância, segundo fontes) do que considera o número ideal para poder assinar contratos de exclusividade com bares, responsáveis por 45% do consumo de cerveja nacional. 

Aliás, embora ainda não esteja no patamar que assume perfeito para estes contratos, a Heineken já está, de fato, correndo atrás deles. Donos de bares em São Paulo relatam visitas de representantes da empresa em busca da promessa de geladeiras 100% compostas por suas marcas em troca de pagamentos gordos. Um desses empresários, em entrevista à Reuters, recebeu R$ 90 mil por um compromisso de 3 anos. 

Com esta estratégia, o analista Leandro Fontanesi, do Bradesco BBI estima que a Heineken possa tirar das mãos da Ambev nada menos que 5% de fatia deste mercado nos próximos 5 anos. Ou mais.

Por ora, a segurança da Ambev nas vendas em comércios especializados fica por conta da excelência em distribuição. A Heineken aposta forte em poucos grandes varejistas enquanto não possui a mesma eficiência da competidora e depende de distribuidores da Coca-Cola. Vale lembrar que a empresa chegou ao Brasil em 2010 via aquisição da cervejeira pertencente à mexicana Femsa - unidade de engarrafamento da Coca-Cola localmente. 

O BBI estima, porém, que o gap nesta frente será coberto nos próximos 3 anos – e que a dona da lata verdinha irá atingir 1 milhão de pontos de vendas ao expandir sua própria atividade de distribuição, acelerando ainda mais os ganhos de fatia de mercado. Esta expansão usará como base um sistema de já existente, adquirido via Kirin: desde o ano passado, seis novos centros de distribuição novos foram construídos, totalizando 29.

Quer investir melhor o seu dinheiro? Abra uma conta na XP.

Em outra frente, analistas e representantes do mercado acreditam em um aumento nas vendas “off-trade”, ou seja, fora de estabelecimentos comerciais. Donos de bares confirmam as suspeitas: mensalmente, vendiam entre 18 mil e 20 mil litros da bebida antes de 2014. Hoje, este número fica abaixo de 14 mil. Ainda que parte desta redução possa ser explicada pela crise econômica e desemprego, o mercado observa uma tendência a buscar os preços e variedade dos supermercados e lojas especializadas estruturalmente.

Nem a Copa do Mundo salvou os resultados da Ambev no primeiro trimestre. Maiores gastos com marketing, preços promocionais e pacotes menos favoráveis, além da greve dos Caminhoneiros, resultaram em números mais fracos que o esperado para um período muito aguardado para o setor. A plataforma de análise de Renda Variável da XP Investimentos, XP Research, estimou pequeno aumento de 15% no lucro da empresa por conta destes fatores. As ações da empresa acumulam queda de 10,80% até agora em 2018, enquanto o Ibovespa (IBOV) vê alta de 1,26% para o período. 

No mercado, alguns analistas mantêm recomendação neutra para os papéis da Ambev. O BBI, por exemplo, aposta em preço-alvo de R$ 20 para a ação; o BTG, de R$ 22. outros se preocupam mais com o curto prazo que com o longo no que diz respeito às ações da companhia. No seu dia-a-dia, analistas estimam que a mesa do bar perca um pouco do amarelo e fique cada vez mais verde.

Contato