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Apocalipse do varejo: shoppings nos EUA começam a colocar grades em lojas

Lojas de departamento respiram por aparelhos - e shoppings centers nos Estados Unidos sofrem as consequências

Shopping center
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Recentemente, o Credit Suisse divulgou um relatório onde analisa as empresas com maior capacidade de sobrevivência ao chamado "Apocalipse do Varejo". A lista inclui apenas varejistas cuja capacidade de mudança será suficiente para garantir sobrevida depois que a tecnologia finalmente levar à falência até a última das grandes lojas de departamento dos Estados Unidos e do mundo. 

Enquanto isso, os shoppings centers da maior economia do mundo sofrem efeitos particulares. 

Gigantes como a Macy's (que está fechando lojas menos rentáveis) e a J.C. Penney (que passa por reestruturação comercial) sempre foram consideradas as âncoras que mantêm as portas dos grandes centros comerciais abertos. Tanto que existe nos EUA uma categoria de contrato com cláusulas condicionais para lojas menores: elas só alugam espaços em determinados shoppings se houver alguma destas lojas no mesmo endereço. 

Agora, em meio ao fechamento de diversas lojas de departamento, proprietários dos imóveis comerciais procuram eliminar este tipo de cláusula - o que significa menos flexibilidade para os varejistas que restam, de acordo com fontes da Bloomberg.

Sem a "obrigação" de manter um tipo de loja em suas dependências, os shoppings estão apelando para negócios menos tradicionais - como consultórios, supermercados e cinemas (pouco comuns dentro de shopping nos EUA) - para não ficarem totalmente vazios. Alguns estão acrescentando grades em lojas que antes abrigavam gigantes varejistas. 

Basicamente, o que os shoppings pegos de surpresa nos Estados Unidos tentam fazer às pressas e sem planejamento é algo que o mesmo tipo de estabelecimento faz com louvor desde que passou a existir no Brasil.

Em evento recente, realizado na XP Investimentos, especialistas declararam que shoppings centers no Brasil possuem os serviços como maior diferencial para o mesmo tipo de estabelecimento nos Estados Unidos. Aqui, o consumidor busca o shopping como local de lazer, segurança e entretenimento - por isso, não é um empreendimento tão ameaçado por varejistas de comércio eletrônico, por exemplo, ou pela eventual morte de determinadas redes varejistas. 

A diferença, porém, é a questão cultural. Mudar a mentalidade de toda uma população para agregar novamente valor aos shoppings centers do país é algo pouco provável para uma economia deste porte. Varejistas consultados pela Bloomberg estão, cada vez mais, considerando deixar de vez a indústria conforme cai o fluxo e sobe a vacância nos shoppings centers dos Estados Unidos. "Nunca pensamos que as âncoras morreriam", disse Harry Mahtani, comerciante que cogita deixar o negócio. "Os shoppings estão mortos". 

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