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Times de futebol "invencíveis" já existem: o abismo financeiro entre Europa e América do Sul

Estudo do Itaú BBA analisa que a força da concentração está formando equipes imbatíveis

SÃO PAULO - Ano a ano, aumenta a distância técnica e financeira entre o futebol europeu e o sulamericano. É isso que mostra o estudo Futebol Europeu: A Supremacia, feito pelo Itaú BBA e divulgado recentemente. 

Para explicar este fenômeno, o InfoMoney Entrevista recebeu nesta segunda-feira (21) César Grafietti, Superintendente de Crédito do Itaú BBA e responsável pela publicação de diversos estudos sobre finanças no futebol ao longo dos últimos anos. 

Confira a conversa em tempo real no player acima.

Grafietti comenta os resultados da pesquisa, que levam a crer no crescimento de clubes ricos e médios em taxas que perpetuam cenários onde alguns clubes já entram nos principais campeonatos prontos para vencer. "Descobrimos que a força da concentração está formando equipes realmente imbatíveis, mesmo em se
tratando de futebol", diz, logo de cara, o material criado pelo BBA.

Entre os clubes, o estudo destaca as maiores receitas com por Barcelona, Bayern, Chelsea, Inter, Juventus, Liverpool, Manchester United, Milan e Real Madrid. Mas também mostra que Inter e Milan perderam muito a relevância em termos
de receitas e, consequentemente, espaço em termos esportivos. Nesta frente, o BBA conclui que existe, sim, uma relação direta entre a saúde financeira e os resultados esportivos dos grandes clubes de futebol. 

Confira as receitas dos clubes em cada ano pesquisado, e a comparação com a maior receita do ano (em cinza):

Com maior capacidade financeira, os clubes já abastados se beneficiaram, a partir de 1995, da Lei de Bosman, que permitiu livre circulação de atletas comunitários na Europa. Podendo investir mais nos melhores atletas da região, times que já estão em cima aumentam a distância para os mais modestos em termos de receita - e perpetuam sua posição de destaque. 

Europa e América do Sul 

Considerando o Mundial de Clubes, o abismo é ainda mais claro. "O futebol europeu tem total supremacia em relação ao sulamericano. Das 29 disputadas desde 1990, venceram 20 contra 9, o que dá aproveitamento de 69%", destaca a pesquisa.

E fica pior: "na história recente, exceto pela década de 00, a distância entre europeus e sulamericanos sempre foi grande. Tecnicamente pode ter se acentuado, mas friamente, os títulos não mentem. Com um detalhe: na década atual, por 3 vezes os sulamericanos não chegaram nem à final. Logo, não foram apenas
os europeus que ficaram mais fortes, mas nós perdemos robustez".

A conclusão do estudo é desanimadora para o brasileiro que gosta de ver seu time no topo. "Na prática, o futebol mundial enriqueceu, evoluiu como negócio, e os vencedores passaram a ser os mesmos de sempre", escreve Grafietti. Segundo ele, "há um sinal claro de que a elite mundial dificilmente perderá seu posto".

Mas ele também vê uma luz no fim do túnel com a busca cada vez mais intensa pela profissionalização do esporte. "Afinal, falamos de futebol, e mesmo numa indústria que se consolida, há espaço para players bem estruturados e planejados ganharem espaço", conclui.

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