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Neon não pode operar contas digitais até encontrar novo banco parceiro

Clientes podem movimentar recursos utilizando seus cartões pré-pagos, mas as demais operações estão bloqueadas

Banco Neon
(Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO - A liquidação do Banco Neon não impede o funcionamento da Neon Pagamentos, mas a fintech está proibida de movimentar até mesmo suas contas digitais enquanto não encontra um novo banco liquidante, de acordo com o Banco Central. O banco foi fechado nesta sexta-feira por comprometimento financeiro e violações às normas legais. 

Embora tenha operações separadas do Banco, a fintech só pode captar e movimentar recursos através de uma instituição financeira como parceira. Até hoje, essa instituição era o Banco Neon - e agora a empresa corre atrás de um substituto. 

Os 600 mil clientes que possuem o cartão de débito da companhia continuam capazes de sacar seu dinheiro ou fazer compras normalmente. Mas aportes financeiros nestas contas estão paralisados até a normalização da situação. 

Os CDBs e cartões de crédito Neon também estão bloqueados. Investidores devem procurar o FGC para reaver os valores de suas aplicações. 

O acesso ao site e ao app do Neon estão indisponíveis desde a manhã desta sexta-feira (4), quando foi anunciada a liquidação extrajudicial do Banco Neon. 

Histórico

Antes de ser Neon, o Banco liquidado se chamava Banco Pottencial – instituição criada em 1994 que mudou de nome em 2016 após joint-venture com a carteira digital Controly. Sob a primeira alcunha, a empresa já apresentava irregularidades apuradas pela Justiça – Magalhães responde pelo Inquérito 3.027 no STF por crime contra o sistema financeiro nacional em caso conectado ao banco.

Ele seria beneficiário de irregularidades dentro do banco referentes ao "deferimento e condução de operações de crédito em desacordo com os princípios da seletividade, garantia, liquidez e diversificação de riscos e ausência de constituição das provisões exigidas para créditos de liquidação duvidosa e ocultação de créditos bem como adoção de práticas irregulares em operações bancárias (folha 5 a 11 do apenso 1)", conforme consta em Inquérito.

A acusação diz ainda que, em uma conta de titularidade do Deputado, "teria ocorrido depósito em cheque no valor de R$ 860.000,00, prontamente creditado, o que possibilitou a redução do saldo devedor então anotado, embora tenha sido devolvido no dia útil seguinte", procedimento que não foi repetido com outros clientes do banco.

Contatada, a assessoria de imprensa do deputado não respondeu pedidos de comentário da reportagem até o momento da publicação.

Em 2010, o Banco Pottencial foi acusado de registrar ativos fictícios no valor de mais de R$ 6 milhões com objetivo de incrementar artificialmente as receitas do banco. Na época, foram processados seis diretores da instituição por gestão fraudulenta e gestão temerária: Argeu de Lima Géo, Carlos Géo Quick, Cássio Dolabella França e Lauro Baptista Machado Júnior.

Desde essa época, o Pottencial figura na lista de bancos sob “acompanhamento especial” pelo BC. O fechamento agora, em 2018, atribuído a deficiência patrimonial, descumprimento de regras de combate à lavagem de dinheiro e irregularidades "graves" com o dinheiro dos correntistas, provavelmente tem relação com um histórico longo.

 

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