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Banco Neon fecha um dia após receber maior aporte da história brasileira? Entenda o caso e conheça a empresa

Ainda ontem, o Neon anunciava um aporte Série A de R$ 72 milhões - maior da história brasileira neste modelo

Selfie neon
(Divulgação)

SÃO PAULO – O Banco Neon foi liquidado nesta sexta-feira (4) pelo Banco Central por conta de "comprometimento da situação econômico-financeira" e "graves violações às normas legais". Ainda ontem, a empresa Neon Pagamentos, braço da instituição, anunciava um aporte Série A de R$ 72 milhões - maior da história brasileira neste modelo.

Fundado em 2016 pelo empreendedor Pedro Conrade, o Neon nasceu apenas como um cartão de débito e conta corrente - fruto de joint-venture entre a Controly e o banco Pottencial. A operação era formada por duas empresas: Neon Pagamentos e Banco Neon.

No ano passado, o Neon passou a emitir CDBs e, em março, lançou o cartão de crédito. Ainda neste ano, teria um quarto produto: a conta corrente para Pessoa Jurídica - uma das grandes apostas do banco.

A liquidação do Banco Neon não afeta o cerne da Neon Pagamentos - responsável pela conta corrente e pelo cartão de débito. Isso significa que esses dois serviços continuarão funcionando normalmente. A assessoria da empresa disse que uma parceria com outro banco deve ser anunciada ainda hoje, e dará conta dos demais produtos. 

O público-alvo primordial do Neon sempre foi a pessoa que está começando a lidar com finanças e busca simplicidade. Mesmo sua frente de investimentos, apelidada "Objetivos", tinha como foco claro o jovem que estava na Poupança e buscava formas simples de rentabilidade - não necessariamente as melhores taxas. 

Para os recursos vindos com o aporte, o CEO e fundador Conrade planejava investimentos em contratação em pessoal na área de tecnologia. “A gente sempre se posicionou como uma empresa de tecnologia, e a maior parte do nosso recurso é usado em pessoas em tecnologia. É diferente de investir bilhões em um datacenter”, disse, na ocasião do anúncio do investimento de fundos internacionais.

Investiram na fintech as empresas Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital - family office do Patria Investimentos - e Yellow Ventures. Para isso, o Neon optou por transferir seu controle acionário para uma holding no Reino Unido, que passa controlar integralmente a Neon Pagamentos SA. 

A fintech buscava atingir um milhão de clientes dentro das duas frentes (Banco Neon e Neon Pagamentos) até o final do ano, mas agora os mil que já são clientes dos produtos Banco Neon devem buscar apoio para reaver seus investimentos e recursos alocados no Banco. 

O Banco Central destacou que as irregularidades encontradas no Banco Neon não estão relacionadas com a abertura e movimentação de conta digital ou com a emissão de cartões pré-pagos, objeto de acordo operacional com a empresa Neon Pagamentos para estruturação de plataforma de banco digital integrada com a gestão de contas de pagamento.

As informações obtidas pelo InfoMoney com fontes apontam três problemas no Neon, nenhum relacionado diretamente com o fato de ser uma empresa jovem: deficiência patrimonial; descumprimento de regras de combate à lavagem de dinheiro e irregularidades "graves" com o dinheiro dos correntistas.

A assessoria do banco disse que, embora as plataformas digitais estejam fora do ar, os cartões de crédito e débito já emitidos continuarão funcionando. Clientes da ferramenta "Objetivos", que investiam em CDBs, deverão também procurar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para reaver esse dinheiro. 

 

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