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Propagandas políticas polêmicas do Facebook são pagas por grupos "suspeitos"

Pesquisadores examinaram 5 milhões de anúncios encontrados de 28 de setembro a 8 de novembro de 2016 por cerca de 9.500 voluntários

Facebook
(Paula Zogbi)

(SÃO PAULO) - Mais da metade dos patrocinadores de anúncios do Facebook que apresentavam mensagens políticas polêmicas antes da eleição presidencial de 2016 têm pouco ou nenhum registro público, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison.

Um sexto desses compradores de anúncios com pouca informação de histórico era ligado à Rússia, segundo o estudo divulgado nesta segunda-feira. Os pesquisadores examinaram 5 milhões de anúncios encontrados de 28 de setembro a 8 de novembro de 2016 por cerca de 9.500 voluntários, escolhidos de forma a representar a demografia e as afiliações partidárias dos eleitores americanos. Os anúncios foram capturados por um software especial nos navegadores web dos participantes.

Os pesquisadores afirmaram que o estudo é a primeira análise generalizada da propaganda política digital e o trabalho surge no momento em que o Facebook enfrenta um controle maior no Congresso americano e a possível regulação de seu modelo de negócio e de suas políticas.

Young Mie Kim, autora principal do estudo, e sua equipe descobriram que um quarto dos anúncios do Facebook examinados mencionavam candidatos. Alguns chamavam a atenção para escândalos dos candidatos, como os comentários de Donald Trump sobre mulheres na gravação do programa Access Hollywood ou o uso de um servidor de e-mail privado por Hillary Clinton para assuntos oficiais enquanto era secretária de Estado. O restante se concentrou em assuntos controversos, como aborto e armas.

A maioria dos anúncios não menciona candidatos, mas muitos tratavam de assuntos levantados por eles, concluíram os pesquisadores.

“Alguns desses anúncios são bastante deliberados e usam questões específicas de um candidato sem usar o nome do candidato”, disse Kim, professor da Faculdade de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade de Wisconsin-Madison.

As leis federais exigem que os patrocinadores dos anúncios políticos na televisão aberta, a cabo e por satélite e também no rádio divulguem informações à Comissão Federal Eleitoral dos EUA (FEC, na sigla em inglês) e à Comissão Federal de Comunicações (FCC). Mas as leis não se aplicam à emissão de anúncios comprados em plataformas on-line como o Facebook, nem mesmo aos que mencionam candidatos. A FEC exige que os patrocinadores dos anúncios divulguem os gastos com publicidade digital apenas se incluírem pedidos para a eleição ou para a derrota de um candidato federal.

O estudo concluiu que os anúncios foram direcionados a estados divididos, como Pensilvânia e Wisconsin, nos quais Trump venceu por menos de 1 ponto percentual. Os pesquisadores descobriram que os anúncios sobre imigração foram desproporcionalmente direcionados aos eleitores brancos. Como os anúncios digitais podem ser direcionados a indivíduos específicos e, diferentemente dos anúncios feitos por transmissões, não podem ser visualizados pelo público em geral, os esforços das autoridades eleitorais para monitorar esses anúncios são quase impossíveis.

Kim e sua equipe, chamada Project DATA, se concentraram em cerca de 50.000 anúncios do Facebook que caíram em oito áreas problemáticas. Dos 228 grupos que compraram esses anúncios, 122 foram classificados como “suspeitos”. Os pesquisadores não conseguiram encontrar informações disponíveis publicamente sobre eles nos arquivos da FEC, nos registros sem fins lucrativos do Serviço Interno de Receita (IRS, na sigla em inglês), nos websites dos próprios grupos ou em outras fontes.

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